Casas Bahia despenca na Bolsa após oferta de ações com desconto de 28%
Segundo fato relevante da companhia, a oferta foi precificada a R$ 0,80 por ação. Empresa enfrenta sérios problemas de endividamento
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quinta-feira, 14 de setembro de 2023
Segundo fato relevante da companhia, a oferta foi precificada a R$ 0,80 por ação. Empresa enfrenta sérios problemas de endividamento
Stéphanie Rigamonti - Folhapress 

São Paulo - As ações do Grupo Casas Bahia, que mudou de nome nesta semana em meio a uma tentativa de reestruturação da empresa, tombaram na Bolsa nesta quinta-feira (14), após a companhia levantar cerca de R$ 623 milhões com uma oferta de novas ações (follow-on).
Segundo fato relevante da companhia, a oferta foi precificada a R$ 0,80 por ação, o que representa um desconto de quase 28% em relação ao preço do papel fechamento do pregão da última quarta-feira (13), quando estava valendo R$ 1,11.
Após o anúncio do valor da oferta, a ação chegou a despencar mais de 30% na Bolsa, tocando um valor menor do que o precificado na oferta, mas depois fechou em queda de 18,92%, a R$ 0,90. No ano, o papel recua 62,5%.
Analistas já esperavam uma reação negativa do mercado à notícia da oferta. Em relatório a clientes, a Guide Investimentos estimou que o preço das ações na Bolsa deveria convergir para o preço da oferta.
Além dos R$ 623 milhões com a oferta, o Grupo Casas Bahia disse nesta quinta que aprovou a emissão de quatro bônus para cada cinco novas ações adquiridas no follow-on. Ou seja, o investidor que comprou os papéis poderá comprar essa quantidade de bônus pelo valor fixo de R$ 0,80 cada, se quiser.
"Caso a totalidade dos 622.919.426 bônus de subscrição seja emitida e exercida, o montante total captado pela companhia por meio da oferta" será de R$ 1,12 bilhão no total, afirmou a empresa.
Na ocasião do anúncio do follow-on na semana passada, porém, a expectativa de valor levantado com a oferta era de R$ 981 milhões -sem considerar os bônus de subscrição-, levando em conta a cotação da ação na época, a R$ 1,26.
A empresa, que enfrenta sérios problemas de endividamento, disse que os recursos líquidos captados serão utilizados para melhorar sua estrutura de capital.
As novas ações e os bônus começarão a ser negociados a partir de 18 de setembro. Os bancos UBS, Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander foram os coordenadores da oferta de novas ações.
Conforme dados da Economatica, o mercado já vinha apostando em peso na forte queda das ações da companhia.
Na última quarta-feira, o volume de ações alugadas da empresa renovou recorde, atingindo o maior patamar desde que a companhia trocou o código do papel negociado na Bolsa, em 2021, de VVAR3 para VIIA3 (haverá nova mudança a partir de 20 de setembro, para BHIA3).
No mercado financeiro, investidores que apostam na queda de uma ação alugam o papel por um tempo, acreditando que ele vai se desvalorizar nesse período.
Esse investidor, chamado de "tomador", vende no mercado as ações que alugou e, se sua previsão se confirmar e o preço delas cair, eles as recompram mais barato para devolvê-las a quem as havia alugado e lucram com a diferença de preço.
Para valer a pena, o lucro do "tomador" com essa venda por um preço maior e recompra por um preço menor precisa superar a taxa que ele paga pelo aluguel dos papéis.
Quanto maior o tombo no preço esperado pelo "tomador", mais propenso ele fica a pagar uma taxa mais alta.
No caso da Via, em uma semana suas ações passaram da terceira posição para a primeira entre aquelas com maior porcentagem de aluguel, mesmo com uma taxa elevadíssima, segundo dados da Economatica compilados pelo TC Matrix.
Na semana passada, de todas as empresas com capital negociado em Bolsa, a Via tinha a maior taxa média de aluguel entre os principais contratos negociados, a 72,8% ao ano.


