Casa própria: um sonho a prestações
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quarta-feira, 12 de julho de 2006
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Quero comprar uma casa, mas os recursos são poucos e as opções são diferentes. O que fazer? Essa é a pergunta que ronda milhões de brasileiros e perturba o governo. Conforme a Fundação João Pinheiro, de Minas Gerais, o déficit habitacional do País chega a 7,2 milhões de unidades (ano 2000). Curar essa 'chaga' é um desafio da sociedade que tropeça na inflação e baixo poder aquisitivo dos trabalhadores.
A Caixa Econômica Federal, maior agente financeiro do País, oferece várias linhas de crédito para habitação, entre 60% a 100% do valor do imóvel, com juros de 6% a 15,5% ao ano mais a Taxa de Referência (TR). ''Uma possibilidade é utilizar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para abater parte da dívida, desde que as parcelas não comprometam mais que 30% do orçamento familiar'', disse José Roberto Matheus, gerente regional da superintendência, ao afirmar que, este ano, o banco disponibilizará R$ 21 bilhões para o setor.
A exemplo de outros agentes financeiros, a Caixa também oferece cotas de consórcio para imóveis, cuja taxa média de administração é de 17% da carta de crédito, segundo informações do Banco Central (www.bcb.gov.br), que é o órgão regularizador e fiscalizador das admistradoras de consórcio.
''Este tipo de investimento é indicado para pessoas que não têm urgência do imóvel e querem pagar uma prestação com reajuste inferior ao financiamento'', disse Azenil Staviski, mestre em teoria econômica e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O próprio presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (ABAC), Rodolfo Montosa, concorda que o ideal seria poupar o dinheiro num fundo de renda fixa, com poucos gastos, mas ''estamos sujeitos ao imponderável e aos apelos comerciais que colocam em risco essa disciplina''.
Segundo ele, em 2000, havia 61.959 consorciados ativos no Brasil. Em abril deste ano, eram 333,7 mil, ou seja, um crescimento de 438,5% nos últimos seis anos. Em comparação ao mesmo mês de 2005, quando havia 247,7 mil consorciados, a elevação foi de 34,7%. ''Isso é resultado da estabilidade econômica, que facilita o planejamento a longo prazo, e da dificuldade em obter linha de crédito bancário'', apontou Montosa, que aposta no aumento de 15% do setor este ano em relação a 2005.
Para famílias com renda de um a seis salários mínimos uma alternativa é entrar na fila da Cohab (Companhia de Habitação). Em 2007, a Cohab-Londrina, por exemplo, pretende entregar pelo menos 1.489 casas financiadas pelos governos federal e municipal. O prazo para quitação da dívida varia de 180 a 240 meses, a correção da prestação depende do programa mais TR mensal.
''Nosso objetivo é atender prioritariamente a população de baixa renda. Por isso, a inadimplência não significa, necessariamente, a perda do imóvel. Antes de buscarmos sua recuperação na Justiça, investigamos qual o motivo do descrédito e a possibilidade de renegociar a pendência'', disse Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, presidente da Cohab-Londrina e da Associação Brasileira de Cohabs (ABC).
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