Rio de Janeiro – A Caixa Econômica Federal (CEF) e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) querem aumentar de 14 para 20 anos o prazo dos financiamentos à classe média para compra de imóvel novo com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Com o prazo maior, seria possível reduzir o valor das prestações e da renda mínima exigida para aprovação desse tipo de operação, que atualmente é o único financiamento habitacional para a classe média oferecido pela Caixa.
O diretor de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Aser Cortines, disse que a instituição negocia informalmente com integrantes do Conselho Curador do FAT o aumento do prazo do crédito de R$ 1 bilhão do FAT à Caixa para este tipo de financiamento, que é de 14 anos, de forma que os tomadores finais possam ter prazo de 20 anos.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffmann, disse que a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que tem um dos representantes no Conselho Curador do FAT, já tem o apoio para essa proposta dos demais integrantes do Conselho que representam o empresariado e o governo. ‘‘Estamos tentando uma aliança com as centrais sindicais de trabalhadores’’, disse.
De acordo com o Sinduscon-Rio, um financiamento habitacional de R$ 70 mil pelo Prodecar (programa cancelado recentemente), com recursos da Caixa, teria prestação inicial de R$ 904,17 e a renda mínima exigida do tomador seria de R$ 3.020.
Com recursos do FAT, a prestação inicial para o mesmo valor de financiamento sobe para R$ 1.204,17 e a renda mínima exigida é de R$ 4.020,00, ou seja, 33,11% maior que no financiamento do Prodecar.
‘‘Por esses números se vê que o financiamento com recursos do FAT é inviável’’, diz Roberto Kauffmann, que é um dos representantes da CBIC em uma comissão formada também por representantes da Caixa, como Cortines, para discutir financiamentos habitacionais.
Outra desvantagem do financiamento com recursos do FAT é que a prestação varia a cada mês de acordo com os juros da TJLP mais 4% ao ano, enquanto no Prodecar o saldo devedor era reajustado mensalmente por TR mais 10,5% ao ano.
Roberto Kauffman disse acreditar que nenhum financiamento pelo FAT para imóveis na planta tenha sido tomado ainda, embora essa modalidade tenha começado a ser oferecida em janeiro.

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