Quem está pensando em fazer algum financiamento para realizar o sonho da casa própria deve analisar muito bem a proposta antes de assinar algum contrato que possa comprometê-lo para os próximos 15 ou 20 anos - período normalmente utilizado para esse tipo de operação.
A melhor dica ainda é procurar emprestar do banco o menor valor no menor prazo de tempo possível. A segunda, diz o advogado da Associação Nacional dos Mutuários de Londrina, Willian Cantuária da Silva, é escolher a melhor taxa de juros e o melhor sistema de amortização. Normalmente, a aplicação de juros e o sistema de amortização dependem da faixa salarial e, nestes casos, o cliente não tem muito o que escolher.
Quando o assunto é empréstimo bancário não há dúvida de que a polêmica mais forte gira em torno do pagamento de juros. Até o início de 90, a maioria dos financiamentos utilizava a tabela Price e ainda o Plano de Equivalência Salarial (PES). Esse sistema, de capitalização composta (juros sobre juros) ainda é utilizado mundialmente em qualquer tipo de financiamento (veja nesta página). Porém, em se tratando de financiamentos de imóveis, o advogado ressalta outros sistemas disponíveis no mercado, como o Sistema de Amortizações Constantes (SAC) e o Sistema de Amortizações Crescentes (Sacre).
Estes sistemas, apesar de distintos, são todos baseados em capitalização composta, configurando também a capitalização de juros, como ocorre com a Tabela Price, mas eles ainda são um pouco melhores, na opinião do advogado, do que a Price. ''Nenhum desses sistemas são novidades. Eles sempre existiram, mas os bancos sempre utilizaram a Tabela Price e, o cliente, por desconhecer as regras, acabava aceitando'', argumenta Silva.
Segundo ele, hoje a forma mais utilizada pelos bancos é o Sacre pelo SAC. Nesse sistema, é recalculado o valor da prestação que vai abater o saldo devedor. Há o recálculo da prestação fixa de 12 meses, mas continua tendo a atualização do saldo devedor. ''Por esta razão a prestação fica praticamente a mesma até a metade do financiamento. Depois é que a prestação começa a cair e, no final, a tendência é ter uma prestação menor com saldo devedor menor, até zerar''. explica.
O melhor sistema na opinião dele seria o Sacre pelo Sacre. O mutuário consegue amortizar mais, porque é crescente e não constante como o SAC. Ou seja, ele inicia o financiamento pagando uma prestação maior e, consequentemente, a amortização também é maior. ''Nesse sistema de amortização crescente, se o financiamento for longo, o mutuário sente o valor da prestação reduzir a partir do terceiro ano. Por ter uma amortização maior, o mutuário pode conseguir zerar o saldo devedor antes do prazo''.
Quem pretende fazer alguma dessas operações não deve se esquecer que o mercado pode sim influenciar nesta questão. ''Se dispara o dólar e a inflação, a situação é outra. Por isso, o conselho é financiar o menor valor possível num prazo menor de tempo possível'', reafirma Silva, lembrando que, no passado, os planos também eram interessantes até as constantes mudanças de planos econômicos e a inflação se tornar tão galopante a ponto do mutuário pagar pelo imóveis até três vezes mais do que o valor de avaliação.

COMPARATIVOS Ao procurar um financiamento de imóveis,
o indicado é pesquisar as condições em diferentes bancos.
Isto porque a Caixa Econômica Federal, que atende 90% deste mercado, tem por objetivo principal financiar imóveis para a baixa renda. Na Caixa, financiamentos acima de R$ 90 mil têm prestações 30% mais altas do que em bancos privados, num prazo de dez anos. Veja abaixo o quadro comparativo das prestações entre alguns bancos. (Agência Graffo)

mockup