As perspectivas são boas para quem pretende adquirir a casa própria a partir do quarto ano do Real. Os motivos da facilidade são, primeiro, o projeto que cria o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), o qual está transitando no Congresso, e, segundo, as alterações que estão sendo estudadas pelo governo no Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
A expectativa, de acordo com o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Anésio Abdala, é de que o SFI esteja em funcionamento até o fim do ano. Por esse sistema, o interessado em comprar imóvel deve procurar um banco ou uma companhia hipotecária para obter o financiamento. Se ele atender às exigências de crédito, o financiamento é concedido. A garantia do empréstimo é o imóvel, por meio da alienação fiduciária. ‘‘O imóvel fica em nome de quem concede o empréstimo’’, explica o diretor de Crédito Imobiliário do Banco de Boston, Fábio Nogueira. ‘‘O comprador só terá a escritura definitiva quando quitar a dívida’’, diz. ‘‘Isso facilita a retomada do imóvel, que pode levar de três a quatro meses, diante dos quatro a cinco anos atuais.’’
Os recursos para financiamento dos imóveis pelo SFI virão de investidores institucionais, como fundos de pensão e companhias seguradoras. Os bancos negociarão com uma companhia securitizadora seus créditos, obtendo novos recursos para financiamentos. ‘‘O fundamental é que o SFI deverá gerar maior quantidade de recursos para o setor imobiliário’’, diz Abdala. ‘‘Isso deverá aumentar a produção de imóveis em escala, o que, por sua vez, tende a provocar a queda de preços, prolongar os prazos de financiamento e reduzir as taxas de juro.’’
Para Nogueira, do Banco de Boston, no início, os prazos de financiamento deverão ficar entre 12 e 15 anos, como são hoje, mas no futuro poderão atingir até 30 anos. No começo, as taxas de juro deverão ficar dentro das faixas atuais da carteira hipotecária, ou seja, entre 14% e 15% ao ano, mas deverão cair com o tempo. Para o presidente da Abecip, em dez anos, o volume de imóveis financiados pelo SFI deverá atingir 600 mil unidades por ano.
Para o diretor do Conselho Técnico do Sistema Financeiro Imobiliário, João César Botelho de Miranda, do Secovi, o sindicato da habitação, as alterações propostas pela entidade ao Banco Central para desburocratizar o SFH também deverão facilitar o acesso à casa própria. Entre as propostas em estudo pelo BC, estão o fim da comprovação de renda pelo comprador e a desvinculação da obrigatoriedade do seguro do imóvel ao SFH.

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