Casa da Moeda vai diversificar produção por falta de demanda
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domingo, 01 de outubro de 2000
Agência Estado Do Rio 
A Casa da Moeda do Brasil, única produtora de todo o dinheiro que circula no País, está diversificando sua produção. Para compensar a escassez de encomendas do governo, a estatal está produzindo como nunca para clientes privados. São bilhetes de metrô, passes de ônibus, selos, cédulas e moedas para serem exportados e a última novidade promete ser a produção de cartões de plástico.
Às vésperas do século 21, a Casa da Moeda sabe que é preciso correr para não perder espaço em um mercado cada vez mais competitivo. Falta apenas o sinal verde do Ministério da Fazenda para que seja feita uma joint venture com um forte grupo francês.
O nome e o valor total do investimento ainda não foram revelados. Se tudo der certo, a Casa da Moeda poderá ceder uma área hoje ociosa para que os novos parceiros franceses instalem máquinas, em regime de comodato, e possam produzir os cartões plásticos. O contrato entre as duas empresas seria de cinco anos, com participação nos lucros no novo produto, que poderá servir tanto como cartão de crédito comum ou do tipo inteligente, se ganhar um chip.
Temos de explorar cada vez mais o nosso diferencial, diz o chefe do departamento de comercialização da Casa da Moeda, Álvaro de Oliveira Soares. Ele explica que com a estabilidade do real, as empresas estão procurando cada vez mais artigos de segurança. Quando for aprovada, a nova unidade de cartões poderá produzir, por exemplo, um moderno documento nacional, chamado registro de identidade civil. Será uma identidade de plástico, que depois poderá receber, no futuro, um chip com várias outras informações do cidadão. Cada brasileiro passará a ter um número único. A nova identidade está sendo estudada pelo Ministério da Justiça.
Essas são apenas algumas novidades na linha de produção da estatal que é sempre associada à imagem da fábrica de cédulas e moedas. O governo por meio do Banco Central e do Tesouro ainda é o principal cliente. Sem falar nos Correios, que encomenda milhares de selos, na Receita Federal (selos para cigarros e bebidas) e na Polícia Federal, compradora de passaportes. Mas na ampla área de 110 mil metros quadrados construídos também são produzidos todos os dias vários itens para outros clientes.
Nossa gráfica geral cresceu muito, comenta o diretor de produção e presidente em exercício, Ary Ribeiro Guimarães. O faturamento em 1993, antes do Plano Real, era de R$ 15 milhões ao ano e este ano deverá chegar a R$ 60 milhões. Já é uma fatia expressiva, de 33,3% do faturamento geral da Casa da Moeda que deverá fechar em dezembro em torno de R$ 180 milhões.
Companhias de metrô, ônibus e barcas estão comprando cada vez mais bilhetes magnetizados produzidos na estatal. Nesse mercado, a competição é feroz. E apesar de ser auto-sustentável, registrando lucro, na média, de R$ 15 milhões nos últimos cinco anos, a Casa da Moeda precisa seguir todas as regras impostas às estatais. Quando a empresa ganha uma concorrência de gigantes privadas as duas maiores são multinacionais o sabor da vitória é ainda mais especial.
Temos produtos de qualidade a oferecer para o mercado, diz Guimarães. A equipe de criação da Casa da Moeda trabalha animada. Está programado para dezembro o lançamento de um selo dos Correios. Depois de raspado, mostrará a mensagem Feliz Natal.
Outro mercado muito concorrido é o de vendas internacionais de moedas e notas. A última grande concorrência ganha foi para o Equador, no início deste ano. O último lote de sucres, moeda local do Equador, por exemplo, até o mês passado, era made in Brazil. A estatal brasileira já exportou para outros países como Argentina, Angola, Costa Rica Paraguai e Uruguai.
A capacidade de produção da Casa da Moeda é de 1,6 bilhão de cédulas por ano e de 1,5 bilhão de moedas. A estatal conta com 1,8 mil funcionários, a maioria moradora das proximidades de Santa Cruz. O turno de trabalho começa às 8 horas e termina às 17 horas.
Logo na virada do Plano Real, em julho de 1994, foi preciso trabalhar em ritmo acelerado, para dar conta da encomenda do governo que decidiu trocar todas as notas em circulação.


