São Paulo - A Casa da Moeda do Brasil (CMB) receberá, até o fim deste ano, novas máquinas para conseguir atender à demanda crescente de impressão de cédulas de reais e de moedas estrangeiras. Segundo uma fonte ligada à empresa pública, a expectativa é de produção de 4 bilhões de cédulas neste ano, volume que, se confirmado, representará um crescimento de 33,3% sobre os 3 bilhões de notas, tanto nacionais como estrangeiras, fabricadas em 2011.
Atualmente, ao contrário do que ocorre na indústria como um todo, que passa por dificuldades em decorrência da crise internacional, as máquinas da Casa da Moeda funcionam no máximo da sua capacidade. ''Para atender às demandas do Banco Central do Brasil na produção de cédulas com maior qualidade e segurança, a Casa da Moeda continua investindo na modernização, com previsão de chegada de outras máquinas até o fim do ano'', explicou essa fonte à Agência Estado.
Neste ano, o faturamento da Casa da Moeda deverá chegar aos R$ 2,721 bilhões, valor praticamente estável, com uma ligeira queda de 1,27% em relação aos R$ 2,756 bilhões faturados no ano passado. A queda, ainda que pequena, justifica-se pelo fato de no ano passado a CMB ter registrado recebimento de pagamentos atrasados e créditos referentes ao ganho de uma ação judicial. Do faturamento total previsto para este ano, US$ 20 milhões serão recebidos como pagamento pela fabricação de cédulas e moedas estrangeiras, algo equivalente a cerca de 2% do faturamento total.
Por força de cláusulas contratuais de confidencialidade, a Casa da Moeda não divulga os valores que recebe de cada país que contrata seus serviços. Mas o Brasil fabrica integralmente ou parte de todo o dinheiro que circula na Argentina, Venezuela, Paraguai e Haiti, entre outros países.
Desde 2008 a Casa da Moeda do Brasil vem registrando taxas expressivas de aumento de volume de produção e faturamento. Naquele ano, a empresa faturou R$ 785,3 milhões, com crescimento de 55,14% sobre os R$ 504,9 milhões apurados em 2007. No ano seguinte, o faturamento saltou 95,91%, para R$ 1,534 bilhão. Em 2010, o valor total avançou 45,56%, para R$ 2,233 bilhões e, no ano passado, subiu a R$ 2,756 bilhões, com crescimento de 23,41% sobre 2010.
Com relação às encomendas estrangeiras, o Brasil só não cobra pelos serviços de cunhagem de moedas e impressão das cédulas do gourde do Haiti, país para o qual a Casa da Moeda fabrica e doa todo o dinheiro circulante naquela economia desde o terremoto de 2010, que destruiu grande parte da capital Porto Príncipe.
Para a Argentina, a Casa da Moeda do Brasil fabrica somente as cédulas de 5, 20 e 100 pesos. ''As denominações de 2, 10 e 50 pesos estão sendo impressas na Casa da Moeda da Argentina'', informa a Casa da Moeda. No caso do Paraguai, o contrato para a fabricação do guarani termina neste ano. Para a Venezuela, o primeiro lote de bolívares está pronto para ser enviado àquele país.
''Desde que o presidente Hugo Chávez cortou três zeros do bolívar, em fevereiro de 2010, numa tentativa de combater a inflação, a Casa da Moeda daquele país não consegue imprimir a quantidade necessária de bolívares para substituir as cédulas antigas'', diz a fonte. Por isso, Chávez abriu licitação internacional da qual o Brasil foi o vencedor.
Entre os 12 países da América do Sul, somente cinco possuem casas da moeda - Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Venezuela. A maioria delas possui capacidade de impressão menor que a necessidade do meio circulante. ''Os países do mundo que não têm o privilégio de imprimir e cunhar a própria moeda compram através de licitações internacionais das quais a Casa da Moeda do Brasil vem participando desde 1976'', informa a fonte.
O processo de internacionalização começou em 1976. A carteira de clientes inclui hoje Argentina, Angola, Bolívia, Cabo Verde, Costa Rica, Equador, Haiti, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela e República Democrática do Congo.

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