Casa Branca é contra proposta da nova lei agrícola dos EUA
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quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Paulo Sotero<br> Agência Estado 
Depois de afirmar que só se envolveria diretamente na elaboração de nova lei de apoio à agricultura no momento da negociação das diferenças entre as propostas aprovadas pelas duas casa do Congresso, a administração Bush surpreendeu o comando republicano na noite de quarta-feira, anunciando sua oposição a um projeto em tramitação na Câmara que destina US$ 170 bilhões em subsídios à agricultura nos próximos dez anos. Esse montante representa um acréscimo de US$ 73 bilhões aos gastos já previstos no setor até o ano 2011. Cerca de US$ 50 bilhões desse adicional são reservados para o apoio à produção das safras que tradicionalmente são as mais beneficiadas, como trigo, milho, algodão, arroz, soja e amendoim.
Embora a lei seja sempre defendida como uma medida necessária para ajudar ''as famílias de agricultores'', a maior parte dos recursos representam transferência de dinheiro público às grandes empresas do agribusiness. Segundo a Casa Branca, metade dos pagamentos à agricultura foi recebida por apenas 8% das propriedades agrícolas, enquanto que metade dos agricultores recebeu apenas 13% da ajuda.
A legislação, que têm também amplo apoio entre os democratas, ampliaria subsídios à produção que são distorcivos aos comércio e reintroduziria o ''preço alvo'', um subsídio que os Estados Unidos já haviam abandonado na última lei agrícola, de 1996. Em sua versão original, esse mecanismo previa o pagamento ao produtor de um preço acima do preço internacional, desde que ele reduzisse a área plantada.
Em sua nova encarnação, o preço alvo dispensa o produtor da obrigação de corte de oferta.
A mudança das prioridades em Washington, depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, e a súbita necessidade de disciplinar o gasto público de forma a concentrá-lo em atividades de estímulo imediato da economia animaram os críticos da legislação dentro da administração a passar à ofensiva.
Numa nota à imprensa, o escritório de Orçamento e Gestão da Casa Branca afirmou que a proposta em discussão não ajuda os agricultores que mais necessitam de apoio, encoraja a superprodução de commodities que já estão com preços deprimidos por excesso de oferta nos EUA, cria dificuldades para os esforços do país de brigar pela redução dos subsídios agrícolas na Europa e no Japão na próxima rodada global de negociações na Organização Mundial de Comércio e ''aumenta o gasto público num período de incerteza''. Grandes produtores agrícolas, como o Brasil, têm feito essas mesmas críticas à legislação agrícola americana.
A secretária da Agricultura, Ann Veneman, pediu à Câmara para adiar a votação da lei, que estava marcada para ontem, e trabalhar num proposta ''que fortaleça o campo, proteja o meio ambiente, invista em programa de infra-estrutura que protejam os alimentos e a agricultura e expanda agressivamente os mercados para os nossos produtores''. Há duas semanas, Veneman propôs um sistema mais seletivo de pagamento a agricultores, de forma a ajudar os que realmente necessitam de apoio federal.


