Carvalho prevê que número de impostos terá forte redução
Cláudia Barberato
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes de Carvalho, afirmou ontem na Redação da Folha, em Londrina, que o projeto de reforma tributária em discussão no Congresso Nacional deverá promover uma mudança profunda neste setor. Ele acredita que há forte tendência de que sejam aprovados poucos tributos. Hoje, lembrou, o País arca com mais de 50 tipos de impostos, que, com a reforma, serão reduzidos para seis ou oito, e ainda assim com diferença vital em relação ao modelo vigente. Os impostos serão seletivos, com variações (de um Estado para outro, se for o caso), a partir de uma avaliação do governo.
Carvalho chegou a Londrina na noite de quarta-feira, procedente de Campo Mourão, onde proferiu palestras sobre modernização do setor empresarial e reforma tributária. Na visita à Folha, estava acompanhado do diretor-superintendente do Serviço Social da Indústria (Sesi), Ubiratan de Lara, e do diretor-superintendente do Serviço de Apoio à Pequena Empresa no Paraná (Sebrae), Hélio Cadore. Eles foram recebidos pelo diretor-
superintendente João Antonio Vieira Filho, pela diretora executiva Regina Kracik Teixeira, pelo diretor de redação João Arruda e pelo diretor administrativo e industrial Antonio Carlos Macarini.
O presidente da Fiep acredita que a reforma deverá ser aprovada até dezembro deste ano, e classifica os avanços como uma vitória da sociedade. Segundo Carvalho, nem o fato de o País estar num ano pré-eleitoral e nem mesmo desentendimentos no âmbito do Congresso, como o que foi agora protagonizado pelo deputado Michel Temer e pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, deverão atrapalhar as votações. A sociedade acordou para os temas importantes e vai cobrar a reforma. Muitas pessoas, mesmo sem saber ao certo o que é a reforma, são a favor dela. Basta ver o exemplo da cesta básica, que tem seus custos onerados em 30% por causa de tributos em cascata.
Carvalho garante que hoje o projeto da reforma é um dos que mais se aproxima dos interesses da sociedade. Depois da acomodação, segundo ele, será preciso também discutir a redução de alíquotas. Ele revelou que um grupo de representantes de entidades produtivas do País discutiu por seis meses o projeto da reforma e que houve um consenso de 85% sobre as modificações propostas.
Segundo Carvalho, o setor empresarial passa por grandes transformações em função da modernização e até sobrevivência das empresas. A tendência hoje é de parcerais ou terceirização dos sistemas de produção, em favor de qualidade de atendimento e também redução de custos. O dinheiro economizado na terceirização, por exemplo, de acordo com Carvalho, servirá em benefício do industrial e também de seus funcionários. A terceirização aparentemente parece ser uma medida dura, porque gera demissões, mas ela é essencial para a eficiência de muitas empresas. O objetivo é melhorar a qualidade e fugir de conceitos antigos de apenas contratar.
A eficiência, garante Carvalho, está também na profissionalização de empresários e formação de mão-de-obra especializada, setores onde o Sesi (na qualificação profissional) e Sebrae (no conceito de terceirização e parcerias na formação e pequenas e médias empresas) hoje estão atuando.





