Carvalhinho pode desistir da Fiep
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quinta-feira, 22 de maio de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba Salvo reviravolta de última hora, o empresário Rodrigo Rocha Loures será o novo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). No meio empresarial já é dada como consumada a desistência do atual presidente da federação, José Carlos Gomes de Carvalho, o Carvalhinho, de concorrer à reeleição. Carvalhinho está à frente da Fiep há 11 anos, tendo sido eleito para dois mandatos por unanimidade.
Segundo a Folha apurou, Carvalhinho não tem mais intenção de participar de um bate-chapa com Rocha Loures, que tem o apoio do governador Roberto Requião (PMDB) na disputa. O atual presidente da Fiep chegou a encontrar-se com Requião e teria manifestado o interesse em desenvolver outros projetos pessoais. Uma das possibilidades seria pleitear no ano que vem a presidência da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), entidade da qual Carvalhinho é vice-presidente atualmente.
Carvalhinho manifestou a alguns membros da Fiep a preocupação com a possibilidade de uma disputa eleitoral enfraquecer a entidade. O embate poderia até ter influência da política local: o atual presidente da Fiep foi uma das pessoas físicas que mais doou dinheiro à campanha de Alvaro Dias (PDT) ao governo no ano passado, tendo inclusive sido coordenador da campanha do senador e eleito suplente de Osmar Dias (PDT) no Senado. Já a empresa de alimentos Nutrimental, de propriedade de Rocha Loures, fez doações de vulto na campanha eleitoral do adversário de Alvaro, o governador Requião.
Rocha Loures disse acreditar que a desistência de Carvalhinho pode dar mais agilidade à transição da diretoria da Fiep. ''Conversei com o Carvalho e ele nos desejou sorte e afirmou que continuará apoiando as iniciativas da Fiep junto à CNI. Foi um gesto muito elegante, e dá mais tranquilidade para começarmos a implantar as medidas que queremos adotar à frente da federação'', comentou Rocha Loures. Na próxima segunda-feira, o empresário já pretende divulgar seu plano de gestão para a Fiep em um evento na Associação Comercial de São José dos Pinhais.
Para Rocha Loures, sua gestão significará uma renovação na Fiep. ''Essa renovação e oxigenação de idéias é um processo natural. Mesmo que haja apenas uma chapa concorrendo, ainda assim os 84 sindicatos patronais filiados a Fiep realizarão uma votação simbólica, que deve ocorrer no dia 4 de agosto.
O empresário destaca dois pontos prioritários que devem pautar a atuação da diretoria da Fiep nos próximos anos. ''Um é a capacitação profissional da mão-de-obra, especialmente no interior, que ainda é deficiente. O outro é a atuação em conjunto com o governador para buscar em Brasília uma alteração na política do sistema financeiro nacional, para que seja possível uma redução dos juros e um acesso maior ao crédito para as atividades produtivas.''


