‘‘O momento é delicado e não dá para falar se o melhor é vender ou manter o estoque.’’ A afirmação é do especialista em café e diretor da Porto de Santos Comércio e Exportação, Nelson Carvalhaes, que esteve ontem na Sociedade Rural do Paraná (SRP) para falar a produtores sobre ‘‘Perspectivas do Mercado de Caf钒. Ao final da palestra, aconteceu o lançamento do 10º Prêmio Brasil de Qualidade de Café para Expresso, promovido pela empresa torrefadora italiana IllycaffS.
Cuidadoso, Carvalhaes ressaltou que cada caso tem que ser avaliado de maneira particular. O corretor lembrou que ainda não há um levantamento preciso da situação das lavouras dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, e que, portanto, não dá para falar em riscos de quebra no setor. ‘‘O mercado cafeeiro está muito espalhado pelo País, e esta pulverização ameniza o risco de quebra’’, observou.
Nelson Carvalhaes também descarta, por enquanto, a possibilidade de aumento de preço do café para o consumidor final. ‘‘É claro que a ocorrência de geadas é um indicador de mercado em alta, mas ainda não dá para falar que a hora é de vender caf钒, disse.
O presidente da SRP, Francisco Galli, afirmou no início da palestra que poderia parecer irônico uma reunião para falar sobre perspectivas e qualidade do café neste momento, ‘‘mas nosso produtor não se enverga com facilidade e temos certeza de que vai conseguir se recuperar’’. Galli se reúne hoje com o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, para falar dos problemas causados pelas últimas geadas na agricultura do Estado. Ele pretende pedir ao ministro apoio imediato por parte do Governo, como alargamento de perfil das dívidas dos produtores e novos financiamentos.
O presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Florindo Dalberto, afirmou ontem que a perda estimada na cafeicultura paranaense na próxima safra é de cerca de 2 milhões de sacas. ‘‘O Estado deverá colher entre 500 e 700 mil sacas’’, calculou.

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