Cartões têm juros mais baixos que os carnês
Segundo José Roberto Resende, da Shopping Brasil, essa elevação de juros está concentrada nas redes que não possuem parcerias com instituições financeiras e por essa razão têm dificuldade em obter linhas de crédito para oferecer aos consumidores. Outra vantagem nas parcerias, explica ele, é que as varejistas conseguem oferecer melhores condições no financiamento por meio do cartão próprio e dividem o risco de inadimplência com a instituição financeira.
Com base nos dados do Shopping Brasil, a média de juros cobrados ao mês nos financiamentos pagos com cartão é de 3,54%, enquanto nos carnês ou cheques atingiu 6,01%. ''As taxas nos cartões são mais competitivas tendo em vista o menor risco de inadimplência, menor custo operacional e ainda a busca de maior fidelidade deste consumidor'', afirma Resende.
Essa diferença é vista nas Casas Bahia. Enquanto o parcelamento com o cartão próprio, administrado pelo Bradesco, varia entre sem juros a até 3,24%, a taxa média cobrada no financiamento com carnê é de 4,9%, podendo chegar a 6,3% em alguns planos. Nas vendas feitas com o tradicional carnê, a varejista atua com recursos próprios, o que justifica a taxa maior e também a suspensão da promoção ''juros pela metade'', que era oferecida na venda de determinados produtos antes do agravamento da crise.
No caso das redes varejistas que administram sozinhas a área de financiamento, houve elevação nos juros e algumas promoções foram suspensas. A Lojas Riachuelo eliminou as vendas com o primeiro pagamento em 100 dias. O gerente de Relações com Investidores da Guararapes, controladora da varejista, Tulio Queiroz, explicou que essa medida reflete uma política mais conservadora da companhia para a concessão de crédito. A rede elevou a taxa média de juros a partir de outubro de 5,9% para 6,9%.
Para o analista da Lopes & Filho Consultoria, João Augusto Salles, é natural essa elevação dos juros. ''É uma defesa em relação à possibilidade de aumento da inadimplência. O volume das operações pode até cair, mas isso será compensado pelo spread maior'', afirma, lembrando que esse aumento do spread torna a operação mais rentável aos financiadores. (A.E.)





