Cartões movimentaram R$ 246 bi no primeiro trimestre
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Mesmo com o crescimento baixo da economia brasileira, o mercado de cartões apresentou desempenho positivo no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Nestes três meses, o dinheiro de plástico movimentou R$ 246,6 bilhões, valor 10,6% maior que o trimestre do ano anterior. O número de transações foi de 2,6 bilhões, com crescimento de 9,6% ante 2014, segundo dados da Abecs, associação das empresas de cartões.
"A situação do País impacta qualquer indústria. Mas 10,6% é extremamente significativo para a realidade do Brasil. Não vai ter nenhum outro setor com um crescimento como este", diz Ricardo Vieira, executivo da Abecs. Para ele, se não fosse o cenário estagnado da economia brasileira, o setor se desenvolveria ainda mais. No mesmo período do ano passado, o crescimento do valor transacionado com cartões em relação ao primeiro trimestre de 2013 foi de 17,7%.
Mesmo assim, a alta de 10,6% é considerada importante pela associação, e se justifica pela "característica de o cartão ser um meio de pagamento seguro, rápido e moderno, que vem substituindo outros meios de pagamento", diz Vieira.
O economista da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, concorda com esta visão. "Independentemente da situação econômica, há um aumento de pessoas transferindo o dinheiro de papel para o de plástico. O que está acontecendo é uma transferência de um meio de pagamento para outro."
Para Rambalducci, existem três motivos que podem levar os consumidores a adotarem o dinheiro de plástico. "Quando a pessoa está fazendo a utilização no débito, está substituindo o pagamento no papel para o pagamento no cartão. O segundo motivo é que a pessoa quer transferir o pagamento de suas contas para um momento só. E o terceiro é a possibilidade de parcelamento."
"Mesmo com a economia estagnada, isto não se reflete na indústria de cartões porque as pessoas continuam comprando", opina, também, o coordenador do curso de Ciências Econômicas da PUC-PR, o economista Carlos Magno. "É uma tendência de mercado usar o dinheiro virtual, tanto para as operações de crédito quanto de débito. Se aumentaram (as transações com cartão), isso também é tendência porque as pessoas continuam comprando e usando a facilidade de parcelamento no cartão, uma vez que o cheque já entrou em descrédito."
Na opinião dos economistas, o parcelamento no crédito pode ser um aliado do consumidor mesmo em períodos de crise, desde que se pague a fatura total até a data do vencimento. "Tem que ter um discernimento mínimo e não esquecer de quitar a totalidade da fatura", avisa Rambalducci.
Região Sul
Dentre as regiões do País, a Sul foi a que apresentou o menor crescimento no valor transacionado com cartões, segundo a Abecs. De janeiro a março, o Sul movimentou 9,6% mais com o dinheiro de plástico. O Norte teve o maior incremento, de 13,1%, seguido pelo Nordeste (12,4%), do Centro-Oeste (11,9%) e do Sudeste (10,5%). Para o executivo da Abecs, isso se deve à maior migração de pessoas ao dinheiro de plástico nas regiões mais ao norte. "A Região Sul foi a que menos cresceu mas, em compensação, é a segunda com o maior valor transacionado (R$ 32,2 bilhões)." A primeira é a Região Sudeste, com R$ 148,8 bilhões em transações.


