Cartões digitais caem no gosto de 20% dos usuários
Ausência de anuidade, taxas mais baixas e facilidade ante bancos tradicionais levam ao crescimento deste tipo de serviço
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de julho de 2019
Ausência de anuidade, taxas mais baixas e facilidade ante bancos tradicionais levam ao crescimento deste tipo de serviço
Fabio Galiotto - Grupo Folha 

Duas a cada dez pessoas que usaram cartões de crédito nos últimos 12 meses estavam ligadas a fintechs ou a bancos digitais, segundo pesquisa da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). Entre os mais jovens, o índice sobe a 32% e mostra o rápido crescimento dos serviços bancários ou financeiros por meio da internet no País.
Conforme o levantamento, 77% dos brasileiros usaram cartão de crédito nesse período. Destes, 76% estavam ligados a instituições financeiras tradicionais, 36% tinham crediário de lojas varejistas e 21% de bancos digitais ou fintechs. Em média, os entrevistados tinham dois cartões de bandeiras diferentes.
Os principais atrativos para a escolha do serviço digital foram a isenção de anuidade e de juros, além das taxas mais baixas em relação aos bancos tradicionais (54%). Para 49%, a maior vantagem era resolver tudo pelo celular, sem atendimento presencial em agências. Outros 41% destacaram a aprovação de crédito mais rapidamente e com menor burocracia.
Esses são os fatores mais relevantes, na visão do conselheiro da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs) Guilherme Horn. Ele acredita que o apelo entre os jovens era maior há quatro anos, mas se disseminou. “Enxergamos uma segmentação mais relacionada ao tipo de comportamento do que à idade do consumidor”, diz. “Talvez o apelo só seja menor se pegarmos pessoas acima de 70 anos”, completa.
Horn acredita que os bancos e cartões digitais permitiram que públicos que não tinham acesso a serviços bancários buscassem essas soluções. “Para ter uma conta bancária no passado, era preciso ter um saldo relevante. As contas digitais deram a oportunidade de acessar serviços financeiros de forma desbancarizada.”
O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, afirma que o avanço das fintechs reflete as transformações que o segmento financeiro enfrenta. “O consumidor se tornou mais exigente à medida que passou a ter controle sobre como e quando terá acesso a determinados produtos. Cenário que levou à popularização dos bancos 100% digitais, os quais têm como apelo a oferta de serviços com mais eficiência e melhores taxas.”
COMODIDADE
Entre os clientes, a comodidade aparece como principal atrativo. “Consigo fazer tudo sem precisar sair de casa ou pegar filas. Foi uma questão de mobilidade e não de taxas mais baixas”, conta o profissional de comunicação Guilherme Vanzella. Ele considera que a modalidade digital tem ganhado adeptos entre as pessoas com as quais convive. “Nem tanto na família, porque muitos ainda têm aquela coisa de ter conta no mesmo lugar há não sei quantos anos”, diz.
Há, contudo, os que não tiveram boas experiências. O gerente comercial Paulo Henrique Luiz afirma que a comodidade o fez procurar um banco digital. “Fiz o cadastro em 15 minutos, demoraram meia hora para aprovar e não tinha custo de manutenção ou anuidade. A princípio, a experiência foi bem boa, mas tive problemas”, conta.
Luiz diz que havia escolhido uma das três principais empresas no mercado na época, mas afirma que teve o chip de celular clonado por funcionários da operadora, além de informações repassadas de dentro do banco digital. “Como era tudo digital, fizeram transferência do meu saldo, usaram o limite do cartão e eu não conseguia acesso, porque o contato era feito pelo aplicativo.”
O banco digital devolveu o saldo, mas o gerente comercial reclama que ficou com o nome sujo. O caso ainda está na Justiça e ele vê a resolução próxima. E, mesmo assim, cita que não deixou de optar pelos serviços digitais. “Tenho dois cartões digitais ainda, mas é ligado a um banco físico. Só a conta é digital. Não dá para generalizar”, diz Luiz.
Inadimplência faz 46% ficarem com nome sujo
Dois terços dos brasileiros usaram cartões de crédito em todos os meses e um quarto deles fez apenas compras a vista, segundo pesquisa da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). Entre os que parcelaram, a média é de cinco meses para quitar a dívida. Porém, 46% ficaram com o nome sujo em algum momento e 32% tiveram o cartão bloqueado por falta de pagamento de faturas. Apenas um terço deles conseguiu regularizar a situação.
O educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, afirma que o controle financeiro do cartão de crédito deve ser feito com regularidade e antecedência, para que o consumidor saiba o que gastou e o quanto ainda pode gastar. “De nada adianta conferir a fatura no fim do mês, quando as despesas já foram realizadas. O ideal é, antes de fazer uma aquisição com o cartão, saber se essa despesa está mesmo dentro do orçamento previsto”, alerta.
Esse cuidado prévio também não aparece antes de adquirir um cartão. Um em cada cinco não analisou as tarifas cobradas, por falta de interesse ou porque não pensaram nisso. Entre os que tiveram o cuidado de analisar, 49% verificam as tarifas cobradas e 30% ficaram de olho nos juros que incidem nas faturas por atraso no pagamento ou uso do rotativo.
Por fim, 86% não sabem a taxa de juros mensal a pagar por entrar no rotativo e 15% possuíam, em abril, alguma fatura no cartão de crédito em atraso. No entanto, 77% garantiram estar com os pagamentos em dia. (F.G.)



