Cartões de crédito pré-pagos são vantajosos apenas em viagens ao exterior
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de abril de 2011
Agência Brasil 
Brasília Sem anualidade e demais taxas associadas ao uso, os cartões de crédito pré-pagos viraram uma opção para quem quer fugir dos reajustes de imposto anunciados recentemente pelo governo. Essa modalidade, no entanto, não representa uma operação de crédito na prática e só é vantajosa em viagens ao exterior.
No cartão de crédito pré-pago, o cliente insere uma quantia no cartão e utiliza o saldo. Atualmente, as administradoras permitem o uso do cartão em estabelecimentos comerciais apenas no exterior. No Brasil, o cliente pode fazer saques em caixas eletrônicos, mas paga uma tarifa a cada retirada. A operação não vale a pena porque os mesmos saques podem ser feitos no cartão de débito sem pagar nada.
O carregamento dos cartões de crédito pré-pagos no Brasil só pode ser feito em bancos conveniados com a administradora. O cliente abastece o cartão com dólares ou euros na própria agência ou numa corretora conveniada com o banco. Por se tratar de uma operação cambial, não de crédito, o titular paga apenas 0,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), alíquota menor que as cobradas nas transações de crédito.
A coordenadora institucional da associação de consumidores Proteste, Maria Inês Dolci, esclarece que os cartões pré-pagos não envolvem nenhum tipo de empréstimo ou financiamento, portanto não se enquadram a rigor na modalidade de crédito. "O cliente carrega o cartão com recursos de que já dispõe. A única mudança é na forma de transportar o dinheiro", explica.
Segundo Rose del Col, vice-presidente para Produtos Pré-Pagos da American Express, administradora que oferece a modalidade, os cartões pré-pagos, na prática, funcionam como compra antecipada de dólares ou de cheques de viagem. "O cliente carrega o cartão e não precisa viajar ao exterior com dinheiro nem cheques que podem ser roubados", diz. Em caso de extravio, o titular recebe outro cartão com o saldo residual e não perde dinheiro.
A única recomendação que Maria Inês, da Proteste, faz é em relação a eventuais taxas cobradas pelas corretoras na hora de abastecer o cartão.


