Cartilha orienta clientes de bancos
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 2002
Agência Folha 
São Paulo Na tentativa de melhorar o relacionamento entre bancos e clientes, a Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos) lançou ontem uma cartilha que orienta os usuários bancários. A cartilha lista em 51 páginas temas como abertura e encerramento de conta corrente, informações que devem conter em um contrato, venda de produtos, como devem e podem ser feitas as reclamações dos clientes, entre outros.
O guia foi lançado durante o 3º Seminário de Atendimento Bancário, promovido pela Febraban, em São Paulo. A cartilha será distribuída na rede bancária e poderá ser encontrada também no site da Febraban (www.febraban.com.br).
Um dos itens que vale ser destacado no guia é o que trata de vendas de produtos, o qual informa que a venda casada é proibida. Ou seja, os bancos podem oferecer livremente seus produtos e serviços, mas não podem exigir que o cliente adquira um produto para conseguir um empréstimo ou um serviço, fato que normalmente ocorre em alguns bancos.
O banco não pode exigir, por exemplo, que o clientes abram uma conta poupança para obter talão de cheques. ''Venda casada é um ato ilegal. Os bancos não podem estimular essa atividade'', disse Aldous Albuquerque Galletti, diretor de Relações com Investidores Institucionais do Itaú e membro da comissão de relacionamentos com clientes da Febraban.
Segundo Galletti, os temas que constam da cartilha foram escolhidos a partir do cruzamento de reclamações feitas no Banco Central, nos Procons e de pesquisas realizadas internamente nos próprios bancos. Para a assistente de Diretoria da Fundação Procon de São Paulo, Dinah Maria do Amaral Barreto, a cartilha da Febraban mostra que há uma tentativa de mudar a mentalidade das instituições financeiras e dos clientes, o que vai ao encontro dos objetivos dos órgãos de defesa do consumidor.
''Não é o problema de um banco mas de todo o setor'', disse ela, referindo-se a conflitos que surgem entre bancos e clientes. O Código de Defesa do Consumidor foi instituído a partir de 1991 e após essa data começaram a crescer as reclamações contra bancos. De 1970 até 90, de acordo com ela, não era comum haver queixas contra as instituições porque o setor tinha um ''poder'' centralizado.


