Com o dinheiro de plástico à mão a toda hora, o brasileiro mostrou que prefere usar o cartão de crédito ou débito para pagar suas contas. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a participação dos meios eletrônicos (cartão de crédito ou débito) nos gastos mensais da população vem aumentando gradativamente desde 2011 e, em 2013, chegou a 50%.
As principais categorias de compra pagas com o cartão de crédito são os bens duráveis para a casa, passagens, material de construção, estadias em hotéis ou pousadas e vestuário e acessórios. O brasileiro usa mais o cartão de débito para acertar a conta nos postos de combustível, em restaurantes e lanchonetes, em farmácias ou para comprar produtos alimentícios.
Mas há quem pague absolutamente tudo com o dinheiro de plástico. A estagiária Camila Marques é uma delas. "Pago tudo no débito, até a coxinha", brinca. "Acho mais seguro que dinheiro. Às vezes, quando você tem dinheiro na mão, gasta mais", opina.
Já a vendedora Darci Aparecida de Melo e a representante comercial Telma Schimidt, mãe e filha, usam o cartão de crédito. "Uso para praticamente tudo. Mercado, roupa, sapato. Não uso débito porque nunca tem dinheiro na conta", ri Telma. Para ela, o cartão de crédito possibilita programar melhor o pagamento para o mês seguinte e ainda oferece a vantagem de parcelamento. Mas a representante comercial admite: já extrapolou algumas vezes.
A mãe se diz mais controlada. "Uso há mais de vinte anos e não pago juros." Na sua opinião, a vantagem do cartão está na comodidade de poder fazer compras mesmo quando está sem dinheiro na mão.
O economista Joilson Dias, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), comenta que o uso intenso do cartão como forma de pagamento é uma tendência já prevista há muito tempo. "Dá imediata capacidade de compra e oferece a facilidade de não ter que carregar dinheiro, além de minimizar riscos (de assaltos)."
E a perspectiva é que este uso só aumente com o volume de pessoas que estão mudando de classe social e aprendendo a usar este recurso, diz. De acordo com a Abecs, a expectativa para 2013 é encerrar o ano com crescimento de 16,9% no faturamento dos cartões de crédito e débito, atingindo o montante de R$ 847 bilhões.
Em 2012, houve incremento de 16,6% no valor transacionado com os cartões, que chegou a R$ 724,3 bilhões divididos em 8,1 bilhões de operações. As transações com o cartão de crédito apresentaram o maior faturamento: R$ 479,5 bilhões, restando R$ 244,8 bilhões para a modalidade de débito. A região Sul foi a que mais se destacou no uso de cartão de débito, com crescimento de 23% no faturamento em 2012. Na modalidade de crédito, ficou em segundo lugar, com aumento de 18,4%.

Alerta

Mas ao mesmo tempo que minimiza os riscos de segurança, o cartão de crédito também pode se tornar um problema se houver superutilização, ressalta Dias. Principalmente quando usa pela primeira vez, o consumidor é levado pela vantagem de ter que pagar a primeira parcela só no mês seguinte. Porém, pode acabar se tornando refém do cartão quando compromete todo o seu salário do mês com a fatura, sendo que o ideal é ter uma reserva, alerta o professor.

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