Curitiba - A maior parte dos inadimplentes faz parte da classe C, trabalha em empresa privada, tem dívida entre R$ 500 e R$ 2 mil e o que levou ao endividamento foi o uso do cartão de crédito como meio de pagamento. As compras que mais levaram as pessoas a ficarem devendo foram móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. E os principais motivos que fizeram o consumidor não conseguir honrar com os seus compromissos foram o desemprego e o descontrole financeiro.
Os dados fazem parte da Pesquisa Perfil do Inadimplente do 2º trimestre, realizada pela Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Participaram do levantamento 1.014 consumidores. A pesquisa foi feita durante o final de maio e o começo de junho.
Outro dado que chamou a atenção na pesquisa é que a fatia de consumidores jovens entre os inadimplentes recuou de 22% para 19% na faixa de até 30 anos de idade, e de 15% para 12% entre os que têm de 31 a 35 anos. Em compensação, entre os que têm 56 anos ou mais, o percentual cresceu de 13% para 17%. Ou seja, isso mostra que o crescimento da inadimplência está concentrado nas pessoas com mais idade.
O economista do SCPC, Flávio Calife, explicou que em momentos de recessão maior, os jovens conseguem evitar alguns gastos. Já as pessoas mais velhas têm muitas contas fixas e, por isso, maior dificuldade para remanejar os gastos. Assim, o crescimento maior do número de inadimplentes fica nesta última faixa etária.
Para o professor da PUC Londrina e Faculdade Paranaense de Ciências Contábeis e Administração, Márcio Massaro, muitas dessas pessoas de mais idade usaram o crédito consignado até para ajudar pessoas mais novas da família e, agora, não estão suportando mais pagar as dívidas.
O levantamento mostrou também que a maioria (66%) não pretende fazer novas compras antes de quitar as dívidas que geraram a restrição ao nome. Resolvida a situação, 40% disseram que pretendem comprar um veículo quando conseguirem solucionar seu endividamento. Em seguida, aparece a compra de imóveis, com 19% dos entrevistados.
Para Massaro, o endividamento é reflexo da aposta que o País fez no consumo interno para sair da crise mundial de 2009. "Com o crédito fácil, as pessoas consumiram carro e linha branca, mas chega uma hora que as coisas começam a estourar", disse. Segundo ele, as dívidas vão se tornando uma "bola de neve gigante" principalmente com o cartão de crédito que tem juros anuais superiores a 200%.
Ele disse que a maior parte do endividamento (54%) está na classe C porque, na crise mundial, o país apostou muito nesta camada da população ao conceder crédito farto. "Agora os carros novos estão parados no pátio das montadoras e nas concessionárias", lembrou.

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