Cartão de crédito avança mais devagar no Sul
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de novembro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Apesar de ser a modalidade de crédito que mais cresceu em agosto, com avanço de 11,4% ante crescimento de 7,9% em 2002, o uso do dinheiro plástico ainda encontra resistência entre o público da região sul do País, onde teoricamente seu avanço deveria ser maior. A penetração do cheque especial, como parâmetro, teve queda de 2,6% no mesmo período. As informações foram divulgadas ontem pela Credicard, que realiza mensalmente pesquisa sobre o uso de operações de crédito.
Em conjunto, as modalidades de crédito (cartões, financiamentos, cheques especiais e crédito pessoal) já movimentaram R$ 431,6 bilhões em 2003. O crescimento nos primeiros oito meses do ano é de 29,1% comparado ao mesmo período de 2002, ano no qual R$ 585,8 bilhões foram movimentados. O crédito pessoal continua a ser a modalidade com a maior fatia na participação, respondendo por 49,2% do mercado.
Para novembro, a pesquisa estima que somente o setor de cartões de crédito deva faturar R$ 7,3 bilhões, com alta de 16% com relação ao mesmo mês do ano passado. Para o acumulado até novembro, o crescimento estimado é superior a 19%, com faturamento de R$ 73,5 bilhões.
A penetração do dinheiro plástico entre a população economicamente ativa no Brasil já chega a casa dos 35%, superior à média na região sul, onde esse índice não ultrapassa os 31%. Segundo o executivo da Credicard Marcelo Alonso, a pesquisa ainda não abrange números estaduais sobre o uso e penetração de cartões, mas é possível afirmar que fatores comportamentais como tradicionalismo impedem maior expansão do cartão nos estados do sul.
''O Nordeste tem a maior receptividade a essa tecnologia, com mais de 38% de penetração'', afirma Alonso. '' Mas isso não significa que o povo do Sul não goste do cartão. O uso da modalidade débito é muito corrente por lá. A questão é que, talvez por tradições, é uma população que não gosta de traalhar com financiamentos'', explica. Alonso acredita que com a chegada da nova geração à faixa dos economicamente ativos a participação do cartão entre as opções de crédito na região Sul deva aumentar.
A maior oferta de benefícios e opções de parcelamento de dívidas são alguns dos fatores que embasam a opinião de Alonso sobre o aumento da participação dessa modalidade entre o crédito. O uso do cartão para parcelamento de compras sem juros também puxou o índice para cima. Mais de 35% das compras realizadas com cartão foram feitas dessa forma este ano, contra 30% no mesmo período de 2002.
Em novembro, a base nacional de 41,8 milhões de cartões deverá realizar 92 milhões de transações no País, com uma compra média de R$ 79. Em relação a outubro deste ano, a estimativa também é de expansão do faturamento, de 1,4%. Tanto o faturamento do mês quanto a compra média representam recordes do ano, puxado em grande parte por reflexos das primeiras compras de Natal.


