Tomar dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está mais difícil no governo do presidente Michel Temer (PMDB). A instituição passou a exigir das empresas que coloquem imóveis ou automóveis como garantia. É o que afirma Marcelo Magreti da Costa - gerente administrativo/financeiro da Hidromar, indústria londrinense que produz elevadores automotivos e lavadoras de alta pressão.
Como considera burocrático o processo de alienar e, depois, desalienar os bens oferecidos em garantia, a empresa desistiu de usar o Cartão BNDES e passou a buscar capital de giro em linhas dos próprios bancos de varejo. "Nós pesquisamos bastante porque as taxas variam muito", conta o gerente.
Antecipando recebíveis, ele tem conseguido taxas que vão de 1,60% a 1,67% ao mês. "Com IOF e outros impostos chega a 1,99%", explica. Numa duplicata de seis meses, ele calcula que a antecipação sai com um desconto de 10% a 12%. "O problema do desconto de duplicata é que se o nosso cliente ficar inadimplente, o banco espera cinco dias, e depois debita o valor na nossa conta com juros", declara.
Por isso, para ele, quando a carteira apresenta mais riscos, é mais interessante optar por uma linha de capital de giro comum. "Se o cliente não paga, o problema é só meu, não tenho de pagar juros para o banco", justifica. Mas a taxa tende a ser um pouco mais alta que na antecipação de recebíveis.
Outra vantagem dessas linhas, segundo Costa, é a obtenção de valores maiores. "Se eu faço uma antecipação de R$ 600 mil em duplicata, eu só pego R$ 600 mil, menos o desconto. Se eu faço um empréstimo comum, eu posso dar R$ 600 mil de duplicata como garantia e obter R$ 1 milhão de giro", exemplifica. (N.B.)

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