O encaminhamento urgente do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) para votação na Assembléia Legislativa e a nomeação de um diretor-presidente titular para a instituição são as principais reivindicações da Carta em Defesa do Iapar, elaborada ontem em uma audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Londrina.
  O documento, assinado por lideranças políticas e empresariais e representantes da pesquisa, da extensão rural e da produção agropecuária no Estado, será entregue por uma comissão ao governador Roberto Requião (PMDB). Representates da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) foram convidados mas não comparareceram ao evento.
  A reunião foi marcada para discutir os reflexos da crise enfrentada pelo centro de pesquisa. Atualmente dirigido pela diretora-presidente interina, Doralice de Fátima Cargano, o Iapar, segundo participantes da audiência, enfrenta a pior crise dos seus 33 anos. O último reajuste dos salários dos servidores ocorreu há oito anos. A defasagem, hoje, passa de 80%. Desde a realização do último concurso para contratação de funcionários, em 1992, houve redução de 42% no quadro.
  ‘‘Essa situação coloca em risco a continuidade das ações de pesquisa’’, afirmou Dimas Soares Junior, membro da Comissão de Funcionários formada para discutir a crise. Segundo ele, algumas pesquisas estão sendo conduzidas graças à atuação voluntária de 11 pesquisadores aposentados, que respondem por 10% do quadro efetivo. O plano de carreiras vem sendo discutido há 11 meses, mas até agora não recebeu posicionamento oficial do governador.
  Doralice confirmou que a situação coloca em risco não apenas os projetos em andamento, como também novas demandas. ‘‘Nossa maior luta é para não perder material genético’’, ressaltou. Responsável interina pela instituição, ela não tinha informações oficiais sobre a indicação de um presidente definitivo. Na história da instituição, a maioria dos dirigentes foi recrutada entre os próprios pesquisadores. ‘‘Nessa situação, acho difícil alguém querer assumir’’, sentenciou.
  Documento produzido pela comissão de funcionários informa que o Iapar conta hoje com 816 servidores, sendo 105 pesquisadores e 21 analistas de ciência e tecnologia. Em dezembro de 1992, o efetivo era de 1.406 funcionários.
O quadro pessoal vigente, aprovado em 1997, prevê 1.076 servidores. Nos próximos cinco anos, 16% dos pesquisadores e 24,3% dos fucnionários terão direito à aposentadoria, o que deve agravar o problema de falta de pessoal.
  Além da entregar a carta ao governador, os participantes da reunião decidiram tentar o agendamento de nova audiência, desta vez na Assembléia Legislativa, em Curitiba, para reforçar o pedido de soluções. Também aprovaram a realização de um Dia de Campo, na instituição, para o qual seriam convidados lideranças políticas e representantes da Seab. ‘‘Não estamos contra ninguém, mas a favor de uma instituição que é unanimidade entre a população’’, comentou o vereador Tercílio Turini (PPS), que presidiu a audiência.

Crise no Iapar
Principais problemas:
- Defasagem salarial de 80%. O último reajuste foi há oito anos;
- Redução de 42% no quadro de funcionários desde a realização do último concurso, em 1992;
- A falta de pessoal deve ser agravada nos próximos cinco anos, quando 16% dos pesquisadores e 24,3% dos funcionários poderão se aposentar.

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