A vice-prefeita de Curitiba e secretária municipal do Trabalho e Emprego, Mirian Gonçalves, foi a Brasília para uma série de reuniões visando apresentar a preocupação do Município com a venda do HSBC. Em encontros com os presidentes do Banco Central, Alexandre Tombini, e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinicius Marques de Carvalho, Mirian pediu que sejam adotadas medidas para minimizar o impacto da negociação para os trabalhadores e para a cidade, que abriga a sede administrativa do banco.

A reunião com o presidente do Banco Central e outros diretores da instituição aconteceu nesta quarta-feira (1). Mirian Gonçalves foi acompanhada da senadora Glesi Hoffmann, do deputado federal João Arruda e de dirigentes sindicais dos bancários da capital. Ela apresentou a "Carta de Curitiba", listando os principais impactos socioeconômicos que a venda do HSBC pode acarretar. Ela pediu ao BC que a operação seja regulada de forma a reduzir os impactos negativos.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que os interesses do BC estão alinhados com os da Prefeitura de Curitiba, da bancada paranaense no Congresso Nacional e do sindicato no que se refere à busca de uma solução que reduza ao mínimo os prejuízos. Ele ressaltou que o BC está atento ao processo de venda do HSBC nas competências que lhe dizem respeito, como risco sistêmico, aspectos concorrenciais, estrutura para viabilidade de negócio e inclusão financeira da população.

Impactos negativos

Entre as preocupações elencadas pela vice-prefeita estão o risco de demissão de 7 mil trabalhadores diretos do banco HSBC em Curitiba e a possível perda de mais de R$ 80 milhões na arrecadação do município. Ela mencionou as demissões em efeito dominó – conforme estimativa de que um posto direto de trabalho implica em três indiretos. No caso do banco, disse Mirian, comércio e serviços estabelecidos no entorno dos cinco centros administrativos sofreriam com o fechamento.

Outra preocupação se refere aos custos com seguro-desemprego. Caso sejam confirmadas as demissões dos trabalhadores do banco HSBC em Curitiba e no País, o governo federal terá que desembolsar em torno de R$ 38,8 milhões, relacionados ao pagamento de quatro parcelas do benefício aos 7 mil bancários. Considerando que no Brasil são 22 mil trabalhadores do HSBC, os valores para o pagamento das quatro parcelas chegariam a R$ 122 milhões.

Cade

Na terça-feira (30), a vice-prefeita entregou a Carta de Curitiba ao presidente do Cade, Vinicius Marques de Carvalho. Ele confirmou que o conselho irá investigar a venda do banco HSBC no País. Participaram da audiência a senadora Gleisi Hoffmann, os deputados federais Enio Verri e Toninho Wandscheer e dirigentes sindicais.

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