"Carta de Curitiba" chega ao Banco Central com impactos da venda do HSBC
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quarta-feira, 01 de julho de 2015
Redação Bonde com Prefeitura de Curitiba 
A vice-prefeita de Curitiba e secretária municipal do Trabalho e Emprego, Mirian Gonçalves, foi a Brasília para uma série de reuniões visando apresentar a preocupação do Município com a venda do HSBC. Em encontros com os presidentes do Banco Central, Alexandre Tombini, e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinicius Marques de Carvalho, Mirian pediu que sejam adotadas medidas para minimizar o impacto da negociação para os trabalhadores e para a cidade, que abriga a sede administrativa do banco.
A reunião com o presidente do Banco Central e outros diretores da instituição aconteceu nesta quarta-feira (1). Mirian Gonçalves foi acompanhada da senadora Glesi Hoffmann, do deputado federal João Arruda e de dirigentes sindicais dos bancários da capital. Ela apresentou a "Carta de Curitiba", listando os principais impactos socioeconômicos que a venda do HSBC pode acarretar. Ela pediu ao BC que a operação seja regulada de forma a reduzir os impactos negativos.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que os interesses do BC estão alinhados com os da Prefeitura de Curitiba, da bancada paranaense no Congresso Nacional e do sindicato no que se refere à busca de uma solução que reduza ao mínimo os prejuízos. Ele ressaltou que o BC está atento ao processo de venda do HSBC nas competências que lhe dizem respeito, como risco sistêmico, aspectos concorrenciais, estrutura para viabilidade de negócio e inclusão financeira da população.
Impactos negativos
Entre as preocupações elencadas pela vice-prefeita estão o risco de demissão de 7 mil trabalhadores diretos do banco HSBC em Curitiba e a possível perda de mais de R$ 80 milhões na arrecadação do município. Ela mencionou as demissões em efeito dominó conforme estimativa de que um posto direto de trabalho implica em três indiretos. No caso do banco, disse Mirian, comércio e serviços estabelecidos no entorno dos cinco centros administrativos sofreriam com o fechamento.
Outra preocupação se refere aos custos com seguro-desemprego. Caso sejam confirmadas as demissões dos trabalhadores do banco HSBC em Curitiba e no País, o governo federal terá que desembolsar em torno de R$ 38,8 milhões, relacionados ao pagamento de quatro parcelas do benefício aos 7 mil bancários. Considerando que no Brasil são 22 mil trabalhadores do HSBC, os valores para o pagamento das quatro parcelas chegariam a R$ 122 milhões.
Cade
Na terça-feira (30), a vice-prefeita entregou a Carta de Curitiba ao presidente do Cade, Vinicius Marques de Carvalho. Ele confirmou que o conselho irá investigar a venda do banco HSBC no País. Participaram da audiência a senadora Gleisi Hoffmann, os deputados federais Enio Verri e Toninho Wandscheer e dirigentes sindicais.


