Kraw PenasForça do hábitoÉlcio de Lara: ‘‘Brasileiro primeiro entra na fila para depois saber para que serve’’Depois de 11 meses do lançamento do programa de Carta de Crédito da Caixa Econômica Federal, apenas 18% das pessoas que se cadastraram para ter financiamentos contratados com recursos do FGTS foram contempladas. O percentual se eleva para 28,5% dos futuros mutuários, quando a contratação se dá através de recursos próprios da CEF. O percentual foi levantado ontem pelo escritório regional do banco e abrange todo o Estado.
Os interessados em financiar imóveis entraram na fila em novembro do ano passado. A carteira de Carta de Crédito recebeu 33,5 mil inscrições para empréstimos baseados nos recursos do FGTS. A lista dos interessados em ter financiamentos com recursos próprios do banco chegou a ter 4,2 mil registros. Todos os 37,7 mil já foram chamados pela Caixa, mas só 7,2 mil pegaram o empréstimo. Os beneficiados tiveram o dinheiro repassado para as agências bancárias.
O Paraná recebeu R$ 70 milhões relativos ao FGTS. Apenas um dos cinco escritórios da CEF recebeu um total de R$ 20 milhões. Os números dos outros quatro escritórios não foram levantados.
O gerente de mercado da Caixa Econômica Federal, Élcio José Coelho de Lara, disse que o número de financiamentos liberados, bem abaixo da previsão inicial, se deve a três fatores básicos: falta de imóvel compatível com o perfil do comprador, falta de dinheiro do futuro mutuário para integralizar a poupança e por último o desinteresse do próprio comprador, que costuma primeiro entrar na fila para depois saber para que ela serve.
O gerente de mercado da CEF não acredita que a baixa contratação esteja relacionada com a burocracia na liberação dos papéis. ‘‘Em muitos casos, o interessado não conseguiu comprovar renda e o pedido de financiamento foi recusado’’, afirmou Élcio José Coelho de Lara.
A Caixa Econômica adotou um novo estilo de liberação de financiamentos para a casa própria. Para evitar que as pessoas ficassem meses na fila, o banco mudou o sistema e agora faz o cadastro na hora. Lara afirmou que no prazo máximo de duas semanas, o mutuário tem liberado o dinheiro e já sai com a escritura do imóvel.
Um convênio assinado no início de março com a Associação dos Notários e Registradores de Imóveis e a CEF retira do mutuário a obrigação de providenciar a documentação do imóvel a ser adquirido. ‘‘Ele não precisa mais tirar as certidões negativas de venda do imóvel. Tudo é providenciado entre a Caixa e a Associação’’, afirmou Lara.
O acordo com os Cartórios de Registro de Imóveis foi inédito em todo o País. Hoje, ele é adotado também em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Antes do convênio, a Caixa demorava até 90 dias para garantir o financiamento da casa própria. Somente o registro do imóvel levava um mês para ficar pronto.

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