Muita gente que recebeu carta de crédito da Caixa Econômica Federal (CEF) está com dificuldade para fechar negócio no mercado imobiliário. Existem duas modalidades de carta no mercado: a do programa Pro-Cred, mantido pelo Fundo de Garantia, e a da classe média. Nos dois casos há obstáculos, critica Roberto Capuano, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci).
Os proprietários de imóveis à venda, segundo Capuano, não estão aceitando o pagamento com a carta de crédito por causa da demora na liberação dos recursos pela CEF. É que o banco demora para fazer a vistoria no imóvel e, com isso, vencem os prazos de validade da documentação do proprietário e do imóvel, o que obriga a retirada de nova papelada, atrasando o processo.
Imobiliárias de São Paulo também têm fila de candidatos à compra de casa ou apartamento com essas cartas, mas o crédito oferecido pela CEF é baixo em relação aos preços de imóveis. No Pro-Cred, o financiamento é de até R$ 31 mil e o imóvel deve valer até R$ 58 mil. O ferroviário Moacir Teles Montilho, que obteve em janeiro uma carta no valor de R$ 29 mil, por exemplo, ainda não encontrou um imóvel que se enquadre às exigências da CEF. ‘‘Já desisti de procurar na zona norte e até visitei uma casa no Conjunto dos Palmares, na zona sul, mas o imóvel estava em condições precárias e com documentação incompleta’’, diz Montilho.
No programa para a classe média da CEF, não há limite de valor para a carta, mas, como a prestação do financiamento não pode comprometer mais de 20% da renda familiar bruta, o total do empréstimo fica atrelado à comprovação de renda.
Dependendo do preço do imóvel, também nem sempre é possível usar o crédito integral previsto na carta. No Pro-Cred, o financiamento pode variar de 90% a 97,5% do preço do imóvel. Na carta da classe média, para imóvel de até R$ 120 mil, o financiamento máximo liberado é de 60% da avaliação do imóvel, limitado a R$ 72 mil; para imóvel acima de R$ 120 mil, o financiamento está limitado a 30% do valor do imóvel.

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