Carta de crédito dificulta compra de imóvel
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de março de 1997
Agência Estado 
Muita gente que recebeu carta de crédito da Caixa Econômica Federal (CEF) está com dificuldade para fechar negócio no mercado imobiliário. Existem duas modalidades de carta no mercado: a do programa Pro-Cred, mantido pelo Fundo de Garantia, e a da classe média. Nos dois casos há obstáculos, critica Roberto Capuano, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci).
Os proprietários de imóveis à venda, segundo Capuano, não estão aceitando o pagamento com a carta de crédito por causa da demora na liberação dos recursos pela CEF. É que o banco demora para fazer a vistoria no imóvel e, com isso, vencem os prazos de validade da documentação do proprietário e do imóvel, o que obriga a retirada de nova papelada, atrasando o processo.
Imobiliárias de São Paulo também têm fila de candidatos à compra de casa ou apartamento com essas cartas, mas o crédito oferecido pela CEF é baixo em relação aos preços de imóveis. No Pro-Cred, o financiamento é de até R$ 31 mil e o imóvel deve valer até R$ 58 mil. O ferroviário Moacir Teles Montilho, que obteve em janeiro uma carta no valor de R$ 29 mil, por exemplo, ainda não encontrou um imóvel que se enquadre às exigências da CEF. Já desisti de procurar na zona norte e até visitei uma casa no Conjunto dos Palmares, na zona sul, mas o imóvel estava em condições precárias e com documentação incompleta, diz Montilho.
No programa para a classe média da CEF, não há limite de valor para a carta, mas, como a prestação do financiamento não pode comprometer mais de 20% da renda familiar bruta, o total do empréstimo fica atrelado à comprovação de renda.
Dependendo do preço do imóvel, também nem sempre é possível usar o crédito integral previsto na carta. No Pro-Cred, o financiamento pode variar de 90% a 97,5% do preço do imóvel. Na carta da classe média, para imóvel de até R$ 120 mil, o financiamento máximo liberado é de 60% da avaliação do imóvel, limitado a R$ 72 mil; para imóvel acima de R$ 120 mil, o financiamento está limitado a 30% do valor do imóvel.


