'Carta branca' a Paulo Guedes mantém otimismo de Medina
Apesar da falta de experiência do governo, consultor financeiro acredita nas reformas e na retomada do crescimento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de abril de 2019
Apesar da falta de experiência do governo, consultor financeiro acredita nas reformas e na retomada do crescimento
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

Não há notícia ruim na economia ou na política capaz de afastar o otimismo do consultor financeiro, palestrante e comentarista da CBN, Teco Medina. Para ele, ainda que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e sua base de apoio no Congresso demonstrem falta de experiência, a equipe econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes é praticamente uma garantia de que o País vai resolver seus problemas e voltar a crescer. Medina esteve em Londrina nesta terça-feira (23) para participar de um bate-papo patrocinado pela construtora A.Yoshii.
“O partido do governo é muito novo, tem muita gente ali que nunca teve um mandato. Mas uma coisa é importante: Bolsonaro disse desde o começo que não entende de economia e dá carta branca para o Paulo Guedes”, afirmou ele em entrevista para a FOLHA. O fato de o presidente ter mandado a Pebrobras suspender um reajuste do preço do diesel, dia 11 de abril, sem consultar Guedes, não teria sido uma ingerência. “Tanto é que foi desfeito.” O reajuste voltou a vigorar dia 17.
Medina admite que o desempenho da economia no início do segundo trimestre está aquém das expectativas. “Dado o otimismo que as pessoas tiveram com a eleição, havia uma expectativa de que os consumidores comprariam um pouco mais e os investidores investiriam um pouco mais. Mas, por alguma razão que a gente não sabe direito, isso não aconteceu.” Para ele, tanto consumidores como investidores estão “esperançosos”, mas resistentes a colocar a mão no bolso.
O economista diz que o PIB do primeiro trimestre será negativo, o que era “inimaginável” no final do ano passado, mas acredita que o governo vai conseguir virar o jogo após a reforma da Previdência. “Não é imediatamente após a reforma que as pessoas voltarão a comprar. Será num segundo momento.”
Quando a reforma for aprovada, acredita Medina, o País afasta o risco de “quebrar” em cinco anos, e aos poucos volta a girar a roda da economia, com a criação de empregos e aumento da confiança e do consumo. “Se passar a reforma, você desarma o problema (do deficit fiscal), você sinaliza para todo mundo que não vai precisar aumentar impostos porque as contas estão organizadas. É claro que isso não vai produzir crescimento imediato, mas é o ponto principal isso.”
Sem a reforma, garante ele, os investimentos não virão. “Você tem uma fábrica de carro para instalar. Pode ser no Brasil, no Chile ou no México. É claro que você não vai instalar no país que tem mais chances de quebrar”, alega
Medina lembra que o País já tem cinco anos consecutivos de deficit fiscal e que o rombo do ano passado foi de R$ 110 bilhões. “Mas quando se olha só a Previdência foram R$ 290 bilhões. Neste ano, vão ser R$ 310 bilhões. Isso é dinheiro que está no orçamento e poderia ser aplicado em muitas coisas e está sendo direcionado para pagar aposentadoria. Está faltando recursos para todo o resto. No Brasil, nada funciona com qualidade e só no ano passado faltaram R$ 110 bilhões.”
Diante dos números, ele considera que os R$ 1 trilhão que Paulo Guedes pretende economizar com a reforma em dez anos não é mais que o necessário. “Não consigo entender que as pessoas achem que esse modelo de Previdência hoje funciona. Ele funciona para 5% de militares, 5% de funcionários públicos que se aposentam muito cedo e pelo teto. Para essas pessoas, funciona. Para o Pais, já deu errado”, declara.
Segundo Medina, 60% da população se aposenta com um salário mínimo e 70% com até dois salários mínimos. “Você tem mais de 50% da população que só se aposenta por idade porque não consegue ao longo da vida provar que tem 35 anos de contribuição. Então, ao meu ver, está errado.”
O economista admite que a reforma “vai piorar a vida das pessoas”, “mas vai piorar mais para quem ganha mais e pouco para quem ganha menos”. “Eu acho que as pessoas precisam entender: a alternativa é parar o País daqui a cinco anos e ninguém receber nada. A gente não tem muita saída.”


