'Carta' aponta situação crítica de Paranaguá
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sexta-feira, 12 de maio de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap) divulgou ontem a Carta Aberta em Defesa de Paranaguá. O documento demorou 45 dias para ser concluído e foi elaborado por 26 câmaras setoriais que fazem parte da associação que tem 400 filiados.
O presidente da Aciap, vereador pelo PFL e vice-presidente da Câmara Municipal de Paranaguá, Alceu Claro Chaves, revelou que a falta de movimentação de cargas no Porto de Paranaguá trouxe perdas para a renda dos trabalhadores avulsos que atuam no local. Segundo ele, no primeiro trimestre de 2006 comparado com o mesmo período do ano passado, a perda de renda foi de R$ 3,853 milhões. Se continuar neste patamar de perdas, vai ultrapassar R$ 15 milhões até o final do ano, estimou. O porto informou que não vai se pronunciar sobre a carta.
De acordo com ele, outro grave problema do município, foi a queda na movimentação de cargas no porto em função da proibição da exportação de produtos transgênicos e da má gestão da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).
Segundo dados da carta, a movimentação de soja teve um crescimento de apenas 1,4% em 2005 comparado com 2004 o que significa 71.776 toneladas a mais, o que corresponde a um navio. Por outro lado, o Porto de Santos (SP) teve um incremento de 32,55% o que representa 1,841 milhão de toneladas a mais em 2005. No Porto de São Francisco do Sul (SC) o crescimento foi de 116,94% o que equivale a um aumento de 1,360 milhão de toneladas movimentadas.
De acordo com Chaves, outro dado preocupante é que Paranaguá teve queda de 2,33% na geração de empregos em 2005 o que significa o fechamento de 656 postos de trabalho. Foi o único município do Estado com resultado negativo, afirmou. Enquanto isso, os 30 maiores municípios do Paraná tiveram aumento de 4,56% no nível de emprego em 2005 e a média do Estado fechou o ano passado com elevação de 4,23%. Estamos no fim do poço. Não tem mais o que perder, disse. O levantamento da Aciap mostrou ainda que houve queda de 25% nas vendas do comércio no primeiro trimestre de 2006 comparado com o mesmo período de 2005.
De acordo com o levantamento da Aciap, 85 mil caminhões deixaram de vir para Paranaguá em 2005, se comparado ao ano anterior. Chaves disse que, segundo a Associação dos Postos de Gasolina de Paranaguá, cada caminhão deixa de contribuir com R$ 60 para a geração de renda na economia informal que seriam gastos de caminhoneiros com alimentos como café, lanches e almoço. Com isso, deixaram de ser injetados R$ 5,1 milhões na economia informal.
A Carta aponta também que quase a totalidade dos portos brasileiros recebeu recursos através da Agenda Portos. Em Santos foram R$ 89 milhões, em Itajaí R$ 47,3 milhões e em São Francisco do Sul R$ 33,240 milhões. Paranaguá não recebeu nada.


