Carros vão subir mais nos próximos dias
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
As montadoras vão reajustar ainda mais os preços dos veículos nos próximos dias. A informação é do próprio presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Segundo ele, a indústria repassou somente uma parte do aumento de custos com a desvalorização cambial. Mas ele não adiantou qual serão os índices de aumento, justificando: Desgraça alheia não se antecipa.
Com este próximo reajuste, os automóveis somarão quatro aumentos este ano. O primeiro, entre 1,5 e 4%, foi o repasse da elevação do IPI. Em seguida, as montadoras reajustaram os preços entre 2% e 11% por conta da desvalorização cambial. Na semana passada foi a vez do repasse do aumento da Cofins, que somou entre 2,6% e mais de 4%.
A indústria não parece disposta a frear a onda de reajuste, mesmo que isso ponha a perder o programa emergencial, que será levado ao governo, propondo a redução de impostos em troca da estabilidade no emprego. Quem aumentou o preço foi o governo, atacou Pinheiro Neto, durante a divulgação do desempenho da indústria em janeiro.
Ele disse que o setor está tendo de lidar com uma série de componentes ao mesmo tempo. A questão do câmbio, segundo ele, pegou a todos desprevenidos, já que a maior parte das linhas voltaram a funcionar no dia 11 de janeiro. No dia 13 já estavam fechando compras de peças importadas com o novo câmbio, destacou.
Segundo o presidente da Anfavea, a quantidade de peças importadas varia entre 5% e 35%. Nos modelos que possuem conteúdo estrangeiro de 35% não há como nacionalizar os componentes porque a produção é baixa. Já nos carros mais simples, a tendência é de o índice de nacionalização crescer entre 5% e 8%.
Além do câmbio houve aumento de impostos, lembrou Pinheiro Neto. Isso tudo veio na contramão das nossas necessidades e eu garanto que não estamos à vontade; estamos sendo constrangidos a transferir os aumentos, disse. Pinheiro Neto revelou ainda que o setor está negociando com fornecedores para evitar novos repasses e garantiu que as margens são estreitas. Queria ter 10% dos poderes divinos que estão nos dando, disse, referindo-se às críticas contra os reajustes.
A indústria automobilística aguarda ainda um contato do governo para tratar do acordo emergencial. Pela proposta dos sindicatos de trabalhadores, os preços seriam reduzidos na média de 11,8% sobre as tabelas vigentes antes dos últimos reajustes. Em troca, governo federal e estadual baixariam IPI e ICMS. As montadoras também garantiriam estabilidade no emprego. O acordo teria vigência de três a seis meses, dando tempo para que uma proposta permanente de renovação da frota fosse elaborada. O impasse surgiu porque as montadoras não querem abrir mão dos reajustes de preços.


