Dida SampaioIntegração americanaFuncionários do governos colocam as bandeiras do Brasil e de outros países participantes do encontro, no Palácio das Artes: são os preparativos finais para a reunião da Alca, em Belo HorizonteBELO HORIZONTE - Os negociadores brasileiros enfrentaram ontem negociações com os Estados Unidos sobre o regime automotivo dispostos a levar seus oponentes a pedirem à OMC (Organização Mundial do Comércio) a formação de um conselho de arbitragem (panel) sobre o tema. A tática usada pelos negociadores foi ceder parcialmente às pretensões dos Estados Unidos, que querem a extinção imediata do regime. Insatisfeitos, os norte-americanos deverão retomar novas consultas ou recorrer à OMC no início do segundo semestre.
Se for cumprida essa estratégia, o governo brasileiro terá cumprido seus objetivos. A formação, avaliação e decisão do poderá demorar bem mais de um ano. Se o regime automotivo for condenado por descumprir regras do comércio, é provável que o governo tenha que revogá-lo somente ao final de 1999
- quando está definida sua extinção.
Ainda assim, a decisão da OMC pode se estender à iniciativa de outros
países de criar e manter seus próprios regimes automotivos. Esse fato eliminaria a possibilidade de investimentos no setor serem deslocados do Brasil para outros países, como as Filipinas. Também anularia o compromisso que o Brasil assumiu com a Argentina de elaborar um regime comum para vigorar depois do ano 2000. A Agência Folha apurou que o Brasil se propôs a reduzir em um ano o período de adesão das montadoras de automóveis ao regime, que terminaria em 31 de dezembro de 1998.
Também aceitou a reivindicação norte-americana de equiparação dos bônus de importação que as montadoras ganham quando compram máquinas e equipamentos - peso dos bônus para compra do produto nacional é 20% maior que a do
importado. O último ponto se refere ao chamado ‘‘trade balance’’, que impõe às
montadoras uma relação de 1 para 1 entre as importações de autopeças,
componentes e automóveis prontos e suas exportações. Os Estados Unidos querem elevar a proporção das compras externas para 1,5. O Brasil aceita aumentar a 1,03, no máximo.

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