As montadoras mantiveram ontem a decisão de reajustar os preços dos carros a partir de amanhã, o que deve tornar inviável a renovação do acordo que reduziu impostos feito com o governo. Com a volta da alíquota normal do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e mais o reajuste médio de 10% pretendido pelas fabricantes, os automóveis podem ficar até 20% mais caros.
O secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Helio Mattar, disse ontem em São Paulo que há ‘‘uma sensação geral de frustração’’ no governo com a decisão das montadoras em não aguardar até o dia 26 para mudar suas tabelas. O prazo solicitado - que coincide com o fim da redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo - serviria para negociar a renovação do acordo em novas bases.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) voltou a informar ontem que precisa reajustar os preços para compensar os custos de produção em decorrência do ajuste cambial. A entidade, contudo, não citou índices, alegando que cada montadora tem tabelas diferentes, que variam de acordo com o modelo do veículo. Segundo a Anfavea, as fabricantes já teriam repassado aos fornecedores de autopeças aumentos de 6% a 30%.
Mattar afirmou, por outro lado, ter cálculos indicando que a desvalorização do real resultou em aumentos de custos não superiores a 8%, levando-se em conta uma média de 20% de peças importadas em cada veículo. Em meados de janeiro as montadoras já haviam reajustado seus preços entre 4% a 5,5% justamente por conta da defasagem cambial.
‘‘Se as montadoras aumentam os preços e o governo mantém a redução do IPI, vai parecer que estamos aceitando perder receita ao mesmo tempo em que as empresas ganham receita’’, disse Mattar. ‘‘Nessas condições, não seria justo com o dinheiro do contribuinte.’’
Mattar ainda aguarda uma possível mudança de postura por parte das montadoras, já que o prazo para o fim da redução do IPI termina hoje. O compromisso de garantia de emprego vai até o fim do mês. Segundo o secretário, mesmo que o acordo não seja prorrogado, o governo continuará discutindo o projeto de renovação da frota de veículos velhos.
As revendas de veículo registraram aumento de procura no fim-de-semana, mas vários modelos estavam em falta, entre os quais Vectra e Astra, da General Motors, Gol e Parati, da Volkswagen, Palio Weekend, da Fiat, e algumas versões do Ka, da Ford.

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