São Paulo - As montadoras começam a colocar em prática aumentos de preços que haviam sido contidos em dezembro por conta de um compromisso com o governo.
Na última sexta-feira, a GM reajustou em média 5,3% os preços de seus veículos. Os automóveis da Fiat subiram em média 3% - o modelo mais vendido da marca, o Palio Fire, reajustado em 3,1%, custará, na tabela, R$ 19.060. O mesmo devem fazer Volkswagen e Ford nos próximos dias.
A GM argumenta que desde outubro as montadoras não promoviam reajustes e nesse período sofreram pressões de custos decorrentes de dissídio salarial (o aumento concedido aos trabalhadores no ABC paulista, em novembro, foi de 18,05%) e elevação nos preços de matérias-primas, principalmente o aço. Segundo a Fiat, o reajuste de 3% considera apenas o dissídio para os trabalhadores (de 17,51%), ou seja, não estaria descartado novo aumento.
Quando obtiveram do governo a prorrogação da alíquota menor do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), as empresas se comprometeram a não demitirem durante a validade do acordo (que vigora até final de fevereiro) e de não reajustarem os preços até o dia 31 do mês passado.
Na avaliação dos fabricantes de automóveis, os reajustes parcelados poderiam chegar a até 10%. Um dos fatores é a disputa que as montadoras e outros setores altamente demandantes de aço, como o de eletroeletrônicos, travam com as siderúrgicas. Essas pretendem elevar o preço do aço entre 10% e 15% em janeiro.
Representantes de setores enviaram ao governo uma proposta para que seja reduzida a tarifa de importação do aço. Seria, segundo eles, uma forma de pressionar as siderúrgicas a não promoverem reajustes ''não justificados'' de preços. A expressão ''não justificado'' fora usada pela Anfavea (associação das montadoras). Em nota divulgada no dia 18 de dezembro, a associação sustentava que ''os custos de produção do aço nacional são muito inferiores aos do mercado internacional''.

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