São Paulo - Os preços dos carros ficarão mais altos a partir de março. O reajuste deverá ser de ao menos 3%, ou seja, correspondente à redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do carro zero.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o fim da redução de três pontos na alíquota do IPI, no final do mês, será repassado para o consumidor. ''Não há dúvidas de que o fim da redução do IPI vai se refletir no preço do carro'', disse o presidente da Anfavea, Ricardo Carvalho.
O executivo afirmou que a Anfavea não pretende pedir uma nova prorrogação do incentivo fiscal, concedido no começo de agosto passado. Na época, o benefício deveria acabar no final de novembro, mas as montadoras pressionaram o governo e conseguiram prorrogar o IPI menor até o final de fevereiro. ''Queremos medidas duradouras para toda a cadeia automotiva. Temos conversado com vários integrantes do setor sobre o assunto. Não queremos mais medidas emergenciais'', disse Carvalho.
Mesmo antes do IPI menor acabar, algumas montadoras já reajustaram seus preços este mês. Este é o caso da Fiat e Toyota, que aplicaram reajustes médios de 2% e 3,5%, respectivamente.
No mês passado, as montadoras já haviam reajustado seus preços em 5% em média. O aumento era reflexo da pressão dos reajustes salariais sobre os custos de produção.
O setor automotivo registrou, em janeiro, recorde mensal de produção de veículos, máquinas agrícolas e componentes. Foram fabricadas 157 mil unidades, resultado 2% superior ao de dezembro (154,1 mil) e 9% maior do que em janeiro de 2003. Segundo Carvalho, as exportações contribuíram para alavancar a produção, já que o mês passado foi fraco para as vendas internas.
As vendas externas das empresas associadas à entidade totalizaram US$ 471 milhões, aumento de 81% sobre janeiro do ano passado. O destaque das exportações ficou com as máquinas agrícolas, que somaram 1,9 mil unidades em janeiro, 118% mais do que em janeiro de 2003.
As empresas amargaram queda de 36,4% nas vendas do mercado interno no primeiro mês de 2004 em relação a dezembro passado (107 mil unidades de veículos licenciados). De acordo com Carvalho, em dezembro o setor registrou recorde de vendas mensais por causa da massa de ofertas e bônus oferecidos pelas montadoras. ''De fato, houve uma antecipação das compras em dezembro, já que o consumidor sentiu que os preços poderiam aumentar em janeiro.'' A entidade mantém a estimativa de que o setor automotivo terá, neste ano, um aumento de 8% na produção e de 7,8% nas vendas.

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