Carros continuam mais baratos
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na primeira quinzena de outubro, a venda de veículos novos no Paraná caiu 20%, se comparado com o mesmo período de setembro. O principal motivo apontado foi a volta gradual da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave-PR), essa baixa ocorreu por conta de uma confusão entre os possíveis compradores. Eles teriam achado que o valor integral do imposto já seria cobrado a partir de 1º de outubro.
No calendário do IPI ficou programado que neste mês o valor do imposto seria taxado em 1,5%. Em novembro subirá para 3% e, em dezembro, 5%. Apenas em janeiro de 2010 o valor será de 7%, índice cobrado anteriormente. Com a diminuição de 30% no fluxo de movimento nas lojas, algumas concessionárias resolveram não repassar o IPI para o cliente. ''Em alguns casos os carros estão ainda mais baratos do que estavam antes da volta da cobrança do imposto'', afirma o diretor geral da Fenabrave-PR, Luis Antônio Sebben.
Segundo a direção da Fenabrave, quem repassou o 1,5% ao comprador foram os empresários que continuaram a vender bem e não têm concorrência nas vendas. Nos veículos que custam entre R$ 20 mil e R$ 25 mil, em que a procura e a concorrência são maiores, dificilmente as concessionárias poderão voltar a cobrar tão rapidamente o valor do imposto. ''Estamos abertos para negociar'', explica Sebben, que também é proprietário de uma revenda de carros.
O IPI deixou de ser cobrado em dezembro do ano passado, após a queda nas vendas e o grande número de demissões nas montadoras. A ação seria realizada até março, mas foi prorrogada até setembro deste ano. Mesmo sem a cobrança do imposto, no acumulado deste ano foram vendidos 3% menos carros, se comparado com o mesmo período do ano passado. Mas a expectativa é que esse cenário seja revertido até dezembro, com vendas 3% maiores do que as registradas em 2008.
Para atingir esse número, será necessário vender mais 46 mil veículos no Paraná. ''Se o volume de vendas continuar a cair, o governo deverá reavaliar a volta da cobrança. O ideal é que IPI não fosse mais cobrado'', opina Sebben. Entre janeiro e setembro de 2009, foram vendidos no Estado 135.241 automóveis. No mesmo período de 2008 este número foi de 139.646 carros. A Fenabrave-PR estima que, caso o IPI não tivesse sido reduzido durante quase um ano, o Estado teria deixado de vender aproximadamente 5 mil veículos.
Segundo Sebben, 80% dos carros comprados no Estado são financiados. A compra pode ser parcelada em até 72 vezes. O valor de 1,5% do IPI de um carro de R$ 25 mil seria de R$ 375. Este valor, incluído no financiamento máximo, representaria um aumento de aproximadamente R$ 5 por mês.


