Curitiba Fazer seguro de um automóvel que já se envolveu em uma grave colisão pode se tornar uma dor-de-cabeça para o proprietário. De acordo com a Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado do Paraná (Assovepar), as seguradoras não aceitam esse tipo de automóvel, e os proprietários ficam desprotegidos de uma eventual fatalidade. Mas as seguradoras negam qualquer forma de má-vontade nesses casos e afirmam que oferecem o serviço, no valor correspondente a de um veículo batido.
Segundo o vice-presidente da Assovepar, César Lançoni Santos, quando um veículo é envolvido em um grande acidente ou quando os custos de conserto são muito altos, a seguradora paga a indenização ao cliente e fica com o veículo. Se for possível a reforma do veículo, a seguradora executaria o conserto e posteriormente venderia o carro em leilões. E quem adquirisse veículos desse tipo em leilões não poderia fazer novo seguro, explica Santos. ''É uma grande incoerência da seguradora. Por que é que colocam à venda produtos que elas acham que não têm condições de serem usados?'', questiona. Ele contou que há muitos problemas no mercado, porque as pessoas adquirem e repassam veículos várias vezes, e o proprietário final nem sabe dos problemas. ''Só quando vai tentar fazer o seguro é que fica sabendo'', observou.
O vice-presidente do Sindicado das Seguradoras do Paraná (Sindiseg), Paulo Moll, nega qualquer má-vontade das empresas em atender esses casos. Segundo ele, não são as seguradoras que reformam os carros. ''Vendemos os veículos do jeito que ele se encontra. Quando a batida é muito grande, transformamos o carro em sucata'', assegurou. Moll explicou que o carro que foi recuperado após um grande acidente pode ter depreciação de até 30% do valor. ''Mas isso depende da negociação entre o corretor e a seguradora'', afirmou.
Moll disse que se a pessoa apresentar as notas fiscais que comprovem a origem legal da peça e do conserto não terá nenhum problema em fazer o seguro. As seguradoras fazem isso para não dar cobertura a automóveis que tenham sido reformados com peças roubadas ou falsificadas. Para ele, os revendedores de carros precisam dar informações mais claras para os consumidores. ''O lojista tem que ser franco e falar que o carro é batido. Mas os lojistas querem vender o carro batido pelo mesmo preço de um que não teve problema e, por isso, não falam nada'', criticou.
A Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon) realizou 642 atendimentos sobre seguros e corretores de seguros neste ano. Cerca de 70% devem estar relacionados com seguros de automóveis, mas o número não é oficial. Do total de atendimentos, o maior problema é o não-cumprimento de contrato, que teve 138 atendimentos sobre o assunto. Em segundo lugar, está a falta de pagamento de indenização (84) e, em terceiro, estão empatados o cálculo de valor a ser devolvido e cancelamento de contrato (ambos com 61 atendimentos). A Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão federal que regula o setor, não tem nenhuma norma sobre o assunto. A informação da Susep é que é o próprio mercado deve se regular.

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