Arquivo FolhaHora da pechinchaMesmo com o repasse da redução de 5% do IPI sobre os carros novos, as revendas estão aplicando descontos maiores para esvaziar os pátios e abrir espaço para a linha 99 a partir de novembroÉ hora de o consumidor apertar as lojas e tirar vantagens na compra do carro zero-quilômetro ou usado. A razão disso, segundo os próprios diretores das concessionárias, é o estoque elevado de veículos, tanto nas montadoras como nas concessionárias, mesmo com o repasse da redução de 5% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os preços que já são de oferta. Com isso, os descontos sobre os preços sugeridos pelas montadoras foram ampliados e variam de 7% a 12%.
A queda de preço do zero-quilômetro tende a puxar para baixo também o valor de venda do carro usado. A situação deve manter-se favorável para quem pretende adquirir um carro ou trocá-lo ao longo do segundo semestre, na avaliação dos diretores das concessionárias. ‘‘Mas o melhor momento é agora’’, avalia Naul Ozi, diretor da Sopave, concessionária Volkswagen de São Paulo.
Segundo o revendedor, quem não tem dinheiro para bancar negócio à vista na compra ou troca de carro pode recorrer a financiamentos com juros prefixados baixos, de 1,49% a 2,70%, que podem não perdurar pelo restante do semestre. ‘‘Por menor que seja uma mexida nos juros pelo governo, por causa de incertezas no cenário internacional, as taxas prefixadas poderão subir, automaticamente, para algo entre 3% e 4%. Isso já elevaria bastante o custo do financiamento dos automóveis’’, lembra.
O melhor período para comprar o carro novo, aponta Ozi, vai até o fim de outubro, no máximo. A partir de novembro, avalia ele, a procura tende a aumentar, por conta da antecipação de compra por quem ainda deseja aproveitar a redução do IPI. O acordo entre governo e montadoras que possibilitou a diminuição do tributo em cinco pontos percentuais estará valendo até janeiro. Além disso, em novembro também haverá o pagamento da primeira parcela do 13º salário, o que normalmente estimula as vendas de automóveis e, consequentemente, faz as revendas recuarem na política de descontos.
Segundo George Assad Chahade, presidente da Associação dos Vendedores de Automóveis do Estado de São Paulo (Assovesp) e do Sindiauto, depois da retração em junho e julho, com a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 15% para 6%, o mercado de usados teve um aquecimento no início de agosto. Essa tendência deverá permanecer em setembro, por conta do efeito dominó provocado pela queda do preço no carro zero.
Com isso, os valores de seminovos, fabricados de 1996 para cá, podem ser mais atraentes do que o de carro popular zero-quilômetro. ‘‘Com R$ 11 mil a R$ 13 mil, valores de um carro popular zero, o consumidor pode adquirir um seminovo muito mais potente e com opcionais, como um Santana 96 ou um Kadett 97’’, sugere. A vantagem, conforme comenta Chahade, seria mantida na revenda do veículo. ‘‘Ao sair da loja, o carro novo sofre uma desvalorização de 10% a 15%, o que não ocorre com o automóvel usado, por conta da estabilidade dos preços’’, afirma.

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