O impacto da adoção de uma alíquota única do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no preço final dos modelos de automóveis 1.0 seria de cerca de R$ 680,00, calcula o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto.
Ele deu a declaração em resposta às críticas de que o IPI único prejudicaria o consumidor de baixa renda. ‘‘Você não pode condenar um País a produzir somente um tipo de carro (os populares) só porque há estímulo tributário’’.
Pinheiro Neto disse ainda que o valor de R$ 680,00, diluído num financiamento de cerca de 24 meses, resultaria num aumento mensal de R$ 30,00 a R$ 40 para o consumidor.
Existem hoje duas alíquotas de IPI sobre carros, uma de 10%, que vale exclusivamente para veículos de até 1.000 cilindradas e para utilitários (veículos com caçamba), e outra de 25% para os demais. A proposta dos fabricantes é criar uma alíquota com valor intermediário entre 10% e 25%.
A Anfavea vai encaminhar até o dia 8 de março ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, a proposta da entidade para a ‘‘mini-reforma tributária’’ no setor. Além do IPI unificado, a Anfavea sugere outras medidas, como alíquota única do PIS/Cofins incidente na cadeia produtiva (fornecedores, montadoras e concessionárias; a estruração do IPI do frete e mudanças no sistema aduaneiro para exportação de veículos.
DivisãoA Receita Federal não vê possibilidade de qualquer definição a curto prazo sobre a criação de uma alíquota única do IPI dos automóveis, enquanto as próprias montadoras não chegarem a um consenso sobre a mudança. Para os dirigentes da Receita Federal, as negociações em torno da unificação das alíquotas acabaram revelando uma disputa pela liderança no mercado de automóveis no País, envolvendo as quatro principais montadoras instaladas no Brasil: General Motors, Ford, Volkswagen e Fiat. A disputa, na visão da Receita, compromete a implementação da proposta. ‘‘É uma guerra de mercado’’, disse uma qualificada fonte da Receita Federal. Liderando as vendas de automóveis no mercado interno há cerca de três meses, a mudança não agrada à Fiat.

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