Carro popular paga a conta do novo IPI
Agência Estado
De São Paulo
O primeiro dia de vigência da nova grade de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros mostrou que o consumidor do carro popular será mais penalizado. Já os veículos de luxo ficaram mais acessíveis para a classe que pode comprá-los. A General Motors reajustou o preço do Corsa Wind, o seu popular, em 13,4%, e baixou o valor da sua luxuosa Blazer V6 DLX em 1,75%. A GM é, até agora a única a anunciar aumentos, válidos desde ontem. Os veículos médios da marca tiveram reajuste médio de 11,9%.
A Ford havia prometido anunciar os novos preços ontem. Mas terminou o dia sem alterar as tabelas. Volkswagen e Fiat parecem estar esperando o posicionamento dos carros da concorrência para definir os seus índices. Principalmente Fiat e Ford vinham investindo mais no mercado de populares, que hoje representa 65% das vendas de automóveis do País.
Mas as mudanças no IPI dos carros, publicadas no Diário Oficial de ontem, proporcionaram não apenas a simplificação tributária do setor, mas também diminuíram a diferença de preços entre os populares e os demais veículos. Por isso, a participação deve se alterar. Os carros médios representam hoje 25% das vendas. Os chamados top de linha ocupavam uma pequena fatia: 3%.
Os aumentos de preços embutem uma série de variáveis. Trazem a novidade da redução de alíquotas de IPI, mas também o aumento do mesmo imposto para carros populares e médios por conta do fim do acordo emergencial. Incluem ainda o repasse de custos, que vão da elevação das tarifas de energia até a de matérias-primas, como o aço.
A nova classificação de IPI mantém inalterada a alíquota do carro popular, vigente antes do acordo emergencial, que era 10%. Mas como no acordo emergencial o IPI deste carro baixou para 7%, haverá aumento de preços. A General Motors informou que, no caso do Corsa, o novo valor embute ainda a retirada do bônus de R$ 375, que as montadoras concederam também como parte do acordo emergencial.
Também passa a ser de 10% a alíquota dos veículos utilitários e comerciais leves. As picapes com tração nas quatro rodas já recolhiam imposto de 10%. Mas as 4 x 2 que tinham IPI de 25% serão beneficiadas. A partir de janeiro a taxação extra para as picapes movidas a diesel de 15 pontos percentuais deixará de existir. Todos os demais modelos carros médios e de luxo passam a recolher imposto de 25%. Nesta categoria haverá um grande impacto do aumento de preços porque foi também beneficiada no acordo emergencial. Pelo acordo, as alíquotas desta categoria haviam baixado de 30% e 25% para 20%. Agora ficam todos com 25%. Mas os carros de luxo, que não foram incluídos no acordo emergencial, são os mais beneficiados, com redução de IPI de 35% para 25%.





