A crise financeira internacional atropelou as facilidades no financiamento de automóveis. Na semana passada, os bancos das montadoras, que vinham mantendo as mesmas condições, elevaram os juros e reduziram os prazos no financiamento e no leasing de veículos zero quilômetro.
Na terça-feira, o Banco Ford subiu os juros prefixados para financiamento em até 24 meses de 2,65% para 3,24% ao mês. Para compra em até 36 meses, a taxa prefixada saltou de 2,69% para 3,36% ao mês. O leasing ou financiamento de até 42 ou 50 meses foi suspenso. Outra medida adotada pelo banco foi a elevação da entrada mínima na venda a prazo de 10% para 20% do valor do veículo.
O Banco Fiat, por sua vez, elevou os juros prefixados para 3,25% ao mês, para planos de 24 meses, e para 3,35%, para planos de 36 meses. Em agosto, as taxas variavam de 2,49% a 2,69%. A entrada mínima continua fixada em 10% do valor do carro. Com a alta das taxas, a prestação mensal de um Fiat Palio EX 2 portas, cujo preço à vista é de R$ 11.881,00, adquirido com 10% de entrada, com financiamento em até 36 meses, subiu de R$ 467,39, em agosto, para R$ 515,69, a partir deste mês.
O Banco GM, da General Motors, manteve a entrada mínima de 10%, mas as taxas prefixadas passaram a variar de 3,05% a 3,35%, conforme o prazo de financiamento, que foi fixado, no máximo, em até 36 meses. Os aumentos aplicados pelo Banco GM representaram uma elevação de 0,28 a 0,49 ponto porcentual em relação às taxas anteriores. O último a mudar as condições foi o Banco Volkswagen, que subiu as suas taxas prefixadas, para financiamento em até 24 meses, de 2,59% para 2,99% ao mês. Com isso, a prestação de um Gol Special, no valor de R$ 11.927,00, adquirido com 50% de entrada e o restante financiado em 24 meses, subiu de R$ 336,73, em agosto, para R$ 351,73, a partir de setembro. No pós-fixado, para financiamento também em até 24 meses, a taxa subiu de 1,67% para 1,87%, mais variação cambial.
Os reajustes nos juros do financiamento de automóveis já haviam sido adotados pelas instituições financeiras sem vínculos com as montadoras. Nesse segmento, os juros médios estão variando de 3,7% a 4,8% ao mês.
Segundo Ricardo Malcon, vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), o aumento nas taxas do financiamento de carro ocorre em decorrência da elevação do custo na captação de recursos pelos bancos das montadoras, os quais vão buscar recursos lá fora. Como o custo do dinheiro subiu, por conta da desconfiança dos credores em relação aos países emergentes, eles precisam repassar o reajuste aos clientes.

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