Carro elétrico deve ganhar escala no País até 2020
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segunda-feira, 01 de agosto de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - O futuro da indústria automotiva no mundo e no Brasil, onde até aqui a ideia de uma "nação apaixonada por carros" não encontra tanta veracidade entre as novas gerações, passa por uma revisão do uso do transporte individual e de um tratamento inteligente à mobilidade nas cidades. Essas questões vão além de crises como a atual. Pelos números de junho da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o primeiro semestre de 2016 foi o pior da última década com queda de 25,4% nas vendas (apenas 1,31 milhão de unidades emplacadas).
Diante desse cenário, o presidente da Nissan no Brasil, François Dossa, concedeu entrevista exclusiva à FOLHA e revelou que o carro elétrico está a um passo de se tornar realidade no mercado brasileiro, sobretudo, com o fim da tributação de 35% sobre o modelo, que conferia à inovação um tratamento de veículo de luxo, e a melhora na política que, na visão dele, deve consolidar um ambiente mais favorável ao setor produtivo a partir de 2018.
"A legislação mudou e melhorou. O governo federal, depois de muita conversa, resolveu tirar o imposto de importação do carro, que era de 35%. Ele era considerado um carro de luxo. Acho que isso viabiliza o carro elétrico no Brasil. Claro que agora precisamos trabalhar a infraestrutura e instalar os pontos de carga. Acredito que a partir de 2018 virá uma nova política para o carro elétrico que traz uma evolução histórica com emissão zero de poluentes", destaca.
Ele acredita que interesses divergentes ao carro elétrico, como da indústria do etanol, ficaram para trás nesse trabalho de mudança de mentalidade, uma vez que pega uma fatia muito específica de mercado. "A indústria do etanol entendeu uma coisa, o carro elétrico não irá pegar 100% de mercado, ele é um carro adaptado à cidade grande, onde nós não conseguimos mais respirar. Vai atingir uma fatia de mercado de 10% a 15%", aponta.
Para o presidente da Nissan no Brasil, o carro elétrico reúne todo um conceito de mobilidade inteligente, no qual a marca tem estruturado seus investimentos de médio e longo prazo. "Caminhamos para atender um consumidor cada vez mais exigente. O jovem hoje não quer ter carro porque é poluente. Essa percepção levou a Nissan a trabalhar em um primeiro momento na eficiência dos motores para poluir menos, e todos os modelos da marca possuem esse conceito com certificação. Aí fomos para o carro elétrico e já estamos além disso, planejando um carro que não tem motorista e vai sozinho por meio de um GPS. Ele já foi mostrado no Japão, claro que vai demorar a chegar aqui", antecipa.
Na avaliação de Dossa, essa inovação vem ao encontro de outro anseio do "novo consumidor" no Brasil, de um trânsito mais seguro. "É inadmissível termos 70 mil mortes por ano em acidentes no Brasil. Isso não é inteligente, pois além de dizimar pessoas produtivas ainda incapacita outras milhares. Acreditamos que o veículo autônomo possa de certa forma contribuir para isso."
CAR SHARING
Nesse trabalho de percepção do consumidor do presente e do futuro, Dossa também acredita que o posicionamento da indústria automotiva precisa estar respaldado no fato de que a oferta desse meio de transporte deve estar "onde o cliente vai querer ir, e não onde nós queremos ir".
Para ele, a fabricante japonesa assimilou muito bem as tendências do transporte para o futuro. "Evolução vai ter, porque o transporte público também não dá conta do mundo inteiro em todos os horários. O transporte individual sempre vai existir só que de um modo diferente de usá-lo. Cada vez mais se consolida o conceito de car sharing, em que o veículo é compartilhado. Não se tem um único proprietário, pois neste novo mundo isso não faz mais sentido. Hoje, não é inteligente ter engarrafamentos monstros e uma pessoa em cada carro."


