Carro ainda é o sonho de consumo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de abril de 2002
Agência Folha 
Rio de Janeiro - A produção industrial brasileira ficou mais sofisticada no intervalo de 20 anos entre 1979 e 1999. Produtos que nem sequer eram feitos no país, como microcomputadores e telefones celulares, estão entre os cem mais fabricados. Aviões e motocicletas também estão agora entre os cem. Mas as mudanças não foram suficientes para alterar o perfil estrutural da produção.
A estrutura da indústria brasileira segue sendo uma estrutura de bens intermediários e de bens de consumo não-duráveis, apesar da evolução, disse hoje Sílvio Sales, chefe do Departamento de Indústria do IBGE.
Sales participou da divulgação da Pesquisa Industrial Anual por Produto 1998-1999, cujos dados foram comparados com os da mesma pesquisa de 1979. A pesquisa de 1999 envolveu um universo de 16 mil indústrias, responsáveis por vendas no valor de R$ 308,57 bilhões, equivalentes a cerca de 70% das vendas industriais do país naquele ano.
As cem maiores atividades industriais correspondiam a R$ 149,52 bilhões, ou 48,46% do universo pesquisado. Em 1979, as cem maiores respondiam por 42,8% da pesquisa.
Embora as mudanças de nomenclaturas e os desmembramentos de produtos em várias denominações expliquem, em parte, a perda de importância relativa de vários itens, como ocorreu no setor têxtil, é fácil observar que a produção se sofisticou.
Em 1979, a lista dos 20 principais produtos industriais brasileiros incluía 12 dos chamados bens intermediários - semibásicos ou até sofisticados, como autopeças, usados como base para outros produtos -, seis bens de consumo imediato (não-duráveis) e dois de consumo durável, ambos do grupo dos automóveis
São também automóveis, de diferentes potências de motores, os três itens de consumo durável que fazem parte das lista dos 20 mais fabricados em 1999. Após 20 anos, o grupo dos intermediários caiu para oito e o dos não-duráveis subiu também para oito.
O caminhão com mais de 5 toneladas de capacidade é o primeiro item dos chamados bens de capital (bem para a produção de outro bem) que surge entre os 20 mais.
Somadas as três categorias de automóveis produzidas em 1999, elas representaram vendas totais de R$ 12,7 bilhões, ou 4,25% do universo da pesquisa. Em 1979 os automóveis representavam 1,9% do total pesquisado.
Os combustíveis continuaram no topo da produção industrial do país após 20 anos. Considerados os automóveis em separado, o óleo diesel (combustível de caminhões e ônibus, principalmente) ficou em primeiro lugar em 1999, saltando do segundo lugar que ocupava em 1979.
A gasolina, o combustível dos automóveis, foi quem perdeu o primeiro lugar para o diesel, passando à terceira colocação. Estão ainda entre os 20 maiores de 1999 a nafta petroquímica e o óleo combustível, derivados de petróleo como a gasolina e o diesel.


