Carro a álcool está chegando ao fim
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - O relatório mensal sobre o desempenho da indústria automobilística que a Anfavea divulgou ontem decreta a morte estatística do carro a álcool: a produção desse tipo de veículo chegou a zero por cento, ou seja, um número abaixo de 100, do total de 136.425 montados em janeiro. No auge do Proálcool, programa criado há mais de 20 anos para incentivar a utilização de um combustível alternativo aos derivados do petróleo, os modelos a álcool chegaram a representar de 88% a 98% do total de carros produzidos no País, entre 1983 e 1988. Em dezembro do ano passado, selando uma tendência de queda contínua iniciada em 95, essa participação estava reduzida a 0,2%, correspondendo a 179 veículos.
A Anfavea avalia que a morte do carro a álcool é uma decisão do mercado, que obviamente prefere a gasolina. Mas os produtores de álcool ainda insistem, por motivos ambientais e sócio-econômicos, que seria conveniente para o País manter uma produção de 15% a 20% de modelos a álcool. O presidente do Sindicato da Indústria do Álcool do Estado de São Paulo, Oscar Figueiredo Filho, argumenta que o setor gera 1 milhão de empregos diretos no País, sendo 400 mil em território paulista. Ele atribui o esvaziamento do mercado de carros a álcool à falta de uma política energética diversificada, à queda progressiva do diferencial de preços entre este combustível e a gasolina e à não inclusão de versões a álcool nos programas de incentivo à fabricação dos chamados carros populares.
Figueiredo Filho reconhece que os problemas de desabastecimento também desestimularam a compra de veículos a álcool, mas nega que eles tenham sido provocados pelos produtores ao optarem pela prioridade à produção de açúcar, em função de preços internacionais favoráveis. Para o dirigente do Sindiálcool, os preços do açúcar acabaram subsidiando a produção de álcool.
O fim da produção de carros a álcool não é, a curto prazo, um golpe fatal para as destilarias. Segundo o sindicato, a produção está estabilizada no pico de 12,5 bilhões de litro/ano, com demanda por uma frota de 4,3 milhões de veículos a álcool em circulação e pela 22% de álcool anidro à gasolina, como determina a legislação federal.


