O consumidor vai pagar mais caro pelos pratos tradicionais de Natal. Pesquisa informal realizada pela Folha apurou que, em Londrina, o preço das carnes especiais para festa deve subir até 30% no varejo. A lista inclui o peru, o tender, o pernil temperado e os frangos especiais.
O peru, nas gôndolas, custa até R$ 7,50 por quilo. O ''frangão'' sai por R$ 5,00. ''Até levei um susto quando vi o preço do peru'', comentou Sérgio Obara, proprietário do supermercado Musamar.
Segundo ele, o quilo do frango especial, de maior tamanho, está com o mesmo preço cobrado pelo peru em 2002. Diante da alta, ele comprou menos peru e mais frango. ''A ave especial vendeu melhor no ano passado'', justificou.
Ademar Vedoato, diretor de compras da rede Viscardi, comentou que o peru subiu até 21% no atacado. ''Algumas marcas aumentaram menos, entre 14% e 16%'', disse.
Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), comentou que não há motivo para altas tão significativas no preço do frango e derivados. ''O setor avícola trabalha para colocar aves especiais a preços acessíveis na mesa do consumidor'', comentou, acrescentando que não houve aumento significativo de custo com relação ao ano passado. Segundo ele, a variação de preços, no varejo, pode resultar da movimentação do mercado. No atacado, o frango especial está cotado a R$ 2,80 o quilo. O peru sai por R$ 5,40. Já o frango comum é vendido por R$ 2,10.
Os cortes de suíno estão mais caros por causa do equilíbrio entre oferta e demanda alcançado pelo setor ao longo de 2003. Ano passado, o consumidor pagou menos pelo produto por causa do excesso de produção e consequente desvalorização dos preços. O pernil, utilizado para fazer o tender, subiu 74% nos últimos 12 meses e hoje é comercializado, no atacado, por R$ 4,10 o quilo. A paleta subiu 31% e é vendida por R$ 3,40. As informações são de Gustavo Fanaya, economista do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne).
Para ele, o aumento nos preços, aliado à queda na renda da população, deve manter o consumo retraído. ''Quem aposta que a performance do ano passado vai se repetir está sendo otimista'', opinou. O analista não acredita que o consumidor vá investir o 13º salário em alimentação. ''O dinheiro será usado para pagar dívidas''.
Os representantes de supermercados ouvidos pela Folha não apostam em grande crescimento na comercialização. Por isso, compraram o mesmo volume de carnes especiais do ano passado. As vendas de produtos de festa devem se concentrar entre os dias 20 e 24 de dezembro. ''A primeira quinzena do mês é sempre normal'', afirmou Vedoato.
Apesar do preço indigesto, muitos consumidores não abrem mão da tradição e vão comprar peru para a ceia de Natal. ''Natal sem peru não tem graça'', comentou a aposentada Gladys Lessa, que ainda não começou a pesquisar preços. A advogada Vânia Maria Scudeler Angeli também não fez pesquisas sobre o preço dos produtos natalinos, mas adiantou que, independentemente do preço, vai preparar peru e tender para a ceia. ''É para agradar toda a família'', disse.

mockup