Uma pesquisa feita entre consumidores mostra que os carnês de lojas são um dos fatores determinantes para o endividamento dos londrinenses. Além deles, os cartões de crédito, a idade, o autocontrole e a renda individual são os que mais pesam na formação de devedores e pessoas propensas à falência. O estudo, chamado de "Fatores determinantes do endividamento e da inadimplência associados à propensão da falência da pessoa física" foi tese de mestrado em Administração defendida recentemente pelo professor de finanças da Unopar, Luiz Fernando da Silva.

A falência da pessoa física é uma novidade na área de finanças. Segundo o professor Luiz Fernando, há pouquíssimos estudos sobre isso. A pesquisa dele trabalhou com fatores socioeconômicos (renda individual e familiar), demográficos (idade e escolaridade), traços de personalidade (autocontrole e compulsividade) e produtos do mercado financeiro (cartões de crédito e carnês de loja) para descobrir quais são os fatores mais determinantes no endividamento, inadimplência e falência das pessoas. Os dados foram levantados em quase 500 entrevistas, por meio de 2 estudos realizados no Terminal de Transporte Coletivo de Londrina ao longo dos últimos 12 meses. A maioria dos entrevistados era da classe C e tinha renda mensal de aproximadamente R$ 2,5 mil.

Os resultados mostram que os carnês de lojas ainda são bastante usados no comércio da cidade e pesam bastante no endividamento e inadimplência dos consumidores londrinenses. Além deles, os cartões de crédito também são bastante utilizados por pessoas endividadas e inadimplentes; a pesquisa mostrou que a maioria dos entrevistados têm, em média, três cartões diferentes.

Um diferencial do trabalho foi utilizar dados psicológicos e comportamentais para o estudo. Os entrevistados diagnosticados como pessoas com bom autocontrole apresentaram baixos índices de endividamento e inadimplência. "Além de terem menos dívidas, as pessoas com maior autocontrole têm mais tendência a poupar, o que é um hábito bastante saudável. Essa constatação indica que seria importante desenvolver campanhas ensinando o autocontrole, já que esse traço da personalidade pode ser desenvolvido e é um fator importante para manter a pessoa em boa situação financeira", esclarece o professor.

Quando se trata de faixa etária os jovens estão mais endividados do que as pessoas mais velhas. "É curioso que o endividamento não acontece, na maioria dos casos, para garantir a sobrevivência da família e sim para atender gastos pessoais", destaca Luiz Fernando. Segundo o pesquisador, os entrevistados acima de 40 anos têm um comportamento financeiro mais conservador: "Esses consumidores são mais prudentes", enfatiza.

A necessidade de ostentação e o "status" influenciam muito o consumo, de acordo com as informações coletadas na pesquisa. Quanto maior o salário e a escolaridade, maior a tendência ao endividamento. O professor Luiz Fernando explica que o materialismo ficou muito evidente nas entrevistas. "Eu utilizei um conceito americano para definir o que é materialismo e percebi que justamente os entrevistados identificados como materialistas foram os que demonstraram uma forte associação do status com o poder. Essas pessoas mostram quem elas são através daquilo que elas têm", conclui.

A tese foi orientada pelo professor Dr. Valter Afonso Vieira e apresentada na Universidade Estadual de Maringá.

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