Carne tende a pesar mais na balança agropecuária
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Gitânio Fortes Agência Estado SÃO PAULO 
A carne bovina tende a contribuir mais com o superávit do comércio exterior agrícola. Essa é a avaliação de Marcos Sawaya Jank, professor da USP e coordenador do grupo Comercialização Externa do Fórum Nacional da Agricultura. No ano passado o déficit da balança comercial de produtos não-agrícolas ficou em US$ 15 bilhões. O superávit do agribusiness bateu em US$ 10 bilhões e conteve o déficit total em US$ 5 bilhões.
Atualmente as carnes bovina, avícola e suína respondem por 12% das exportações do agribusiness brasileiro.
Há um grande espaço para ganhos de produtividade e qualidade, disse Jank, em seminário do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da USP. Para Jank, a carne suína também tende a ampliar exportações, com a queda de barreiras sanitárias. Na produção de frango, qualquer ganho é extremamente difícil. O Brasil já é referência mundial nessa área, afirmou. É muito difícil melhorar o prazo de abate (que passou de 100 a 40 dias em duas décadas) e a conversão alimentar (transformação de quilo de grãos em quilo de carne).
Estratégias Na pecuária de corte, a idade média de abate de quatro anos é considerada elevada e a lotação de pastagem de um animal por hectare pode ser tranquilamente duplicada, considera Jank. Para crescer na avicultura, é preciso que as empresas invistam mais na industrialização e aceitem alianças para ampliar a capacidade de abordar o mercado.
Em todo complexo carnes, vai se acentuar a tendência de seleção de poucos, grandes e eficientes produtores e indústrias, disse. O País deve seguir o exemplo dos EUA. No final dos anos 70, os quatro maiores processadores de carne dos EUA tinham 38% do mercado. Atualmente, são 70%. Os feedlots (confinamentos) com mais de 16 mil cabeças passaram de 40% para 50% do suprimento total. Os acima de 32 mil representam um terço do abate dos Estados Unidos.
O desafio para a pecuária de corte não é tecnológico, considera Jank, mas contratual. O mercado de boi tem um sistema de comercialização ultrapassado, afirmou Jank. Para ele, é necessário observar em conjunto os elos da cadeia da pecuária de corte e não isoladamente, como se faz hoje. Além da comercialização, a pecuária de corte tem de partir para um produto padronizado, que inclua o reconhecimento da origem e sanidade. Nessa reorganização parcela da produção pode ser destinada à exportação, sem estar diretamente atrelada às oscilações de preço do mercado interno.


