Buenos Aires - Os produtores de suínos da Argentina querem incluir no pacote de negociações com o Brasil a limitação de exportações brasileiras do produto para o mercado argentino. Segundo o presidente da Associação Argentina de Produtores de Suínos, Juan Ucelli, o Brasil não está cumprindo o acordo assinado no último dia 16 de abril por representantes dos setores privados de ambos países. O acordo ''fixou um preço mínimo de US$ 1.850 a tonelada para a importação de carne de porco do Brasil'', explicou Ucelli, quem ''solicitou ao presidente Néstor Kirchner que inclua o assunto nas conversações multilaterais para que estas importações não prejudiquem a produção local''.
Ele afirma que ''o monitoramento das operações de maio e junho passados mostra que as importações foram praticadas com preços muito menores e, em alguns casos, chegaram a US$ 1.300 a tonelada''.
Ucelli garante que esse valor ''destrói a produção local porque são preços de liquidação e não podemos competir com isso''. No entanto, o presidente da associação admite que os suinocultores argentinos têm uma vantagem em relação ao Brasil porque dispõem de insumos básicos para a alimentação dos animais mais baratos. Isso deve-se ao fato de que estes produtores pagam impostos por suas exportações que são compensados pelos preços mais baixos para o mercado local.
Porém, Ucelli queixa-se que, ''por outro lado, não temos nenhum tipo de subsídios, estímulos financeiros nem tratamentos diferenciais, como ocorrem no Brasil''. Para ele, a indústria argentina ''sofre um grande perigo por causa das importações indiscriminadas dos suínos brasileiros''.

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