Carne some do prato do consumidor
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terça-feira, 10 de julho de 2001
Cláudia LopesDe Londrina 
O prato tradicional brasileiro, composto por arroz, feijão e bife, está ameaçado pela falta de poder aquisitivo da população, que tem buscado fontes de proteínas mais baratas. Há dois meses, a venda de carne caiu drasticamente nos açougues de Londrina. O Frigorífico Barão de Iguape registrou queda nas vendas de 50% neste período. O preço da arroba do boi, que é R$ 40, não sobe há cerca de um ano.
Pelo menos sete casas de carnes e três distribuidoras encerraram suas atividades em Londrina neste ano, segundo o presidente da Associação do Comércio Varejista de Carnes do Norte do Paraná, Orlando Bonilha. Nos últimos três anos, 100 açougues fecharam.
Desde maio, as vendas caíram 30% na Casa de Carnes Maringá. O proprietário Sidnei dos Santos disse que a inadimplência está aumentando. Clientes que sempre pagavam em dia estão dando calote, contou. As partes mais nobres do boi como a picanha e o filé mignon, que custam R$ 9,90 e R$ 12,50 o quilo, quase não têm saída no açougue.
Além da falta de dinheiro no comércio, Santos acredita que os pequenos açougues estão sendo prejudicados pelo funcionamento dos supermercados aos domingos. As grandes redes estão tirando nosso movimento, reclamou.
O proprietário da Casa de Carnes Bitencourt, Durval Oliveira Bitencourt, demitiu dois funcionários há cerca de oito meses. O faturamento bruto caiu de R$ 14 mil para R$ 8 mil. Clientes que gastavam R$ 200, agora gastam R$ 60. Até o frango, que já foi considerado a âncora do Real, está em baixa.
Bitencourt também reclama da abertura dos supermercados aos domingos e da venda de carnes abaixo do preço de custo pelas grandes redes. Tem mercado vendendo o quilo do traseiro do boi por R$ 2,99, sendo que eu pago R$ 3,20, contou.
O proprietário da distribuidora Frigocenter, Aldo Fujimoto, disse que suas vendas caíram 15% desde fevereiro passado. A falta de consumo fez com que o preço da arroba não subisse em plena entressafra.
Nos últimos seis meses o Frigorífico Barão de Iguape, de Londrina, demitiu 60 funcionários. Desde abril, as vendas caíram 50%. Em consequência, reduzimos o abate de 100 para 40 bois por dia, contou o proprietário da empresa, Marciano José da Silva. Segundo ele, os preços da carne devem continuar os mesmos até novembro deste ano por causa da queda no consumo. A redução das vendas reflete a conjuntura atual, com grande índice de desemprego.


