Quem faz compras nos supermercados da cidade sabe o quanto o custo da carne bovina está pesando na lista de compras deste ano. Por mais um mês, ela foi vilã da pesquisa da cesta básica de Londrina, elaborada pelos professores Flávio Oliveira dos Santos e Thiago Spiri, junto aos alunos da Faculdade Pitágoras. De acordo com o levantamento referente ao mês de maio, a cesta apresentou variação positiva de 1,44%, atingindo a marca de R$ 322,39 para uma pessoa e R$ 967,16 para uma família com quatro integrantes. Nos últimos 12 meses, o aumento do kit básico já está próximo à casa de 5%.
Porém, para a carne, o percentual de aumento é mais substancial. O quilo do produto – que tem peso de 40% dentre os 13 itens pesquisados – aumentou 6% em comparativo ao mês de abril. O preço variou de R$ 17,99 a R$ 26,50 o quilo, ou 47,3%, entre os dez supermercados analisados na pesquisa. "Do início do ano até agora, o quilo da carne já aumentou 15% apenas em nossa pesquisa. Vale dizer que a oscilação é muito grande. Em um dos supermercados, por exemplo, de um dia para o outro houve queda no preço de R$ 2,18", explica o professor Flávio.
Outros produtos que registraram aumento mensal foram o feijão (12,78%), batata (12,95%), arroz (3,85%) e a farinha de trigo (1,02%). "Além da carne, vale destacar também o aumento do feijão e da batata, que está cara nos últimos meses, já que a oferta do produto diminuiu".
No que diz respeito aos produtos que sofreram queda nos valores – oito no total – o tomate, que possui peso de 13% na cesta, registrou redução de 2,12%, a banana (13,83%), açúcar (7,93%), leite (11,53%), margarina (28,84%), óleo (2,60%), pão (0,40%) e café (3,02%). "O tomate sofreu uma queda neste momento, mas se analisarmos o comportamento dos preços do produto nos cinco primeiros meses do ano, o item já acumula alta de 15%. A banana também segue uma tendência de alta ao longo de 2015", explica o pesquisador.
A prontuarista Sônia Regina de Moraes, e seu filho, o estudante Leandro Henrique de Moraes, vão ao supermercado toda a semana e perceberam o aumento de alguns itens, principalmente da carne. "Sem dúvida, os valores aumentaram. É possível ver o poder da inflação nos alimentos. No caso da carne, fica meio complicado fazer a troca por outro produto, mas nos hortifrútis conseguimos variar mais", comentaram.
A aposentada Ruth Lombardi, que mora no centro da cidade, frequenta o supermercado mais próximo ao seu apartamento e dribla como pode os preços mais elevados. "Acho que todos notaram o aumento da carne bovina. Fico de olho nas promoções, às vezes troco pelo frango ou a linguiça. Não sou de fazer muita pesquisa, acabo mudando os itens dentro do mesmo supermercado".
A pesquisa de preço ainda se mostra a estratégia mais interessante para evitar os aumentos excessivos. Caso o consumidor realizasse a pesquisa em todos os supermercados do levantamento, a economia poderia chegar a 38,35%. "É preciso analisar os preços em pelo menos três ou quatro supermercados, além de saber o dia das promoções no estabelecimento que frequenta", completa Santos.

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