Carne Fraca: perícia só avaliou produtos de um frigorífico
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terça-feira, 21 de março de 2017
Agência Estado 
A operação Carne Fraca, cuja divulgação resultou na imposição de barreiras internacionais à carne brasileira, encontrou irregularidades sanitárias em três dos 21 frigoríficos investigados. Segundo o relatório de 300 páginas da Polícia Federal, das três empresas, só a Peccin Agroindustrial teve produtos periciados pelo corpo técnico da PF a partir de amostras vindas de um supermercado de Curitiba.
Os outros dois frigoríficos, Larissa e Souza Ramos, transformaram-se em suspeitos de praticar irregularidades sanitárias apenas com base em declarações de conversas interceptadas no âmbito do inquérito.
Embora seja conduzida pela delegacia de Repressão ao Crime Organizado, cuja função é investigar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a operação ficou mundialmente famosa após a PF realizar uma coletiva de imprensa na qual foram abordados supostos problemas sanitários, como o uso de papelão em embutidos, carne estragada, aditivos acima do liberado e substâncias cancerígenas.
Foram essas suspeitas, levantadas pelo delegado Maurício Moscardi, que iniciaram uma crise internacional. Após a divulgação da operação, a União Europeia, Hong Kong e países como China, Japão, Suíça e Chile impuseram embargos à carne.
Entretanto, de todas as empresas citadas, somente a Peccin foi alvo de uma análise pericial. Das duas maiores empresas do setor, a JBS, dona da Friboi e Seara, e a BRF, união da Sadia e Perdigão, só a BRF foi citada em um caso de problema sanitário, mas sem uma análise técnica.


