Carne dispara preço da cesta básica e londrinense terá ceia ‘salgada’


Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha

Carne dispara preço da cesta básica e londrinense terá ceia ‘salgada’
Pixabay
 

A disparada no preço da carne vermelha, derivada da alta demanda do produto brasileiro pelo mercado chinês, é o principal fator do salto de 15,6% no preço médio da cesta básica em Londrina. Doze dos treze produtos que a compõem registraram aumento no mês de novembro em relação a outubro, segundo a pesquisa mensal comandada pelo núcleo de pesquisas econômicas da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). 


A cesta básica para uma pessoa, no mês de novembro, saiu a um custo médio de R$ 402,65, contra R$ 348,03 em outubro, quando os mesmos produtos tiveram deflação de 1,58%. O valor para uma família composta de dois adultos e duas crianças pulou de R$ 1.207,95, em outubro, para R$ 1.044,08 em novembro,.




A pesquisa é realizada mensalmente desde janeiro de 2014 em dez supermercados de londrina e atingiu, em novembro deste ano, o maior valor nominal de toda a série histórica, afirma o economista da UTFPR Marcos Rambalducci. A carne vermelha sofreu um aumento de 22,6% nos supermercados londrinenses no mês de novembro em relação ao mês anterior, mas o custo dela representa 50% do valor total da cesta. Segundo Rambalducci, se descontasse o preço da carne, a inflação da cesta básica em novembro teria sido de 5,6%. 


Dos treze produtos, o que registrou a maior alta foi o tomate, encontrado, em média, 48% mais caro, seguido do feijão (25,1%). Na outra ponta, apenas o leite ficou mais barato (-9,3%) e o arroz e o óleo permaneceram com os preços praticamente estáveis (0,3% e 0,9%, respectivamente). 


Segundo Rambalducci, o aumento na carne bovina não deve estabilizar a curto prazo, devido à alta demanda chinesa e ao tempo necessário para abastecer os mercados adequadamente, o que levaria quatro ou cinco anos. Além disso, ele alerta que a demanda vai migrar para a proteína suína e de frango, provocando alta também nestes produtos. “Não dá para pensar que vai diminuir sensivelmente nos próximos meses”, diz. 


O economista também ressalta a influência das condições climáticas sobre os produtos. "Tivemos uma colheita muito ruim do feijão, então, isso vai impactar [no preço] nos próximos três meses, pelo menos. E também precisamos ficar de olhar, porque, se tivermos excesso de chuva no início do ano, depois da estiagem de 2019, podemos ter problemas com a batata e o tomate, por exemplo”, diz. 


REFLEXOS NA CEIA 


Se o encarecimento da carne bovina já vai impactar a ceia de fim de ano, a alta do dólar, que deve permanece na casa de R$ 4,10, vai encarecer importados tradicionais da época, como azeite, castanhas e bacalhau. “Tínhamos um cenário favorável para o fim de ano, mas tudo indica que teremos um repique da inflação que vai atingir muitos elementos”, diz Rambalducci. 




Além disso, ele considera que a substituição de alimentos não deve reduzir consideravelmente o valor da cesta básica, já que outros produtos também terão elevações devido ao aumento da demanda. "Então, teremos de usar da expertise da culinária para reduzir o consumo destes artigos com criatividade. Agora, se gostar de churrasquinho, mesmo, e gostar da picanha, o consumidor vai ter um impacto no bolso de maneira mais significativa”, alerta o economista.

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Tudo sobre:

Últimas notícias

Continue lendo