O atual movimento de queda de preços na carne bovina está com os dias contados, alerta o economista Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo Quadros, o preço do produto já está subindo no atacado.
  No âmbito do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), os preços das carnes bovinas frigorificadas - dianteira no atacado passou de queda de 5,01% para alta de 3,46%, de junho para julho. Por sua vez, a carne bovina frigorificada traseira passou de queda de 4,20% para alta de 1,49%, no mesmo período. Isso levou o grupo bovinos no atacado a registrar alta de 1,20% no IGP-M de julho, ante queda de 1,83% no indicador em junho. ‘‘Creio que estamos vendo o início do efeito da entressafra, que começa no meio do ano’’, afirmou.
  No varejo, os preços da carne continuam caindo. O preço da carne bovina passou de -0,92% para -1,35%, de junho para julho, no âmbito do IGP-M. Quadros considerou que, mais cedo ou mais tarde, o movimento de alta de preços da carne no atacado se refletirá no varejo.
  O IGP-M de julho ficou em 0,18%, o que mostra uma desaceleração em relação a junho, quando o índice registrado foi 0,75%. Para Quadros, o próximo IGP-M, que será referente a agosto, pode registrar taxa mais elevada. Segundo o economista, a taxa de inflação de 0,18% ao mês não condiz com a realidade do País. ‘‘Se você multiplicar por 12 essa taxa de 0,18% ao mês, se chega a uma inflação anual em torno de 2%. Não é o nosso caso’’, disse, considerando que uma taxa de 0,30% ao mês é mais condizente com a realidade.
  Os preços, que por atacado correspondem a 60% da composição do IGP-M, tiveram alta de 0,21%. Os preços ao consumidor (IPC), com peso de 30% na taxa, caíram menos em julho, variando -0,08% frente à queda de 0,44% em junho. A principal influência veio dos alimentos, que avançaram 1,38 ponto percentual, passando de -1,86% para -0,48%. Houve aumento nos preços das frutas (de -9,06% para 3,12%); arroz e feijão (de -3,86% para -0,51%) e adoçantes (de -2,64% para -0,55%). E o custo da construção, que pesa 10% na composição do IGP-M, desacelerou e ficou em 0,57% frente a 1,45% apurado em junho. Os três grupos que compõem o índice apresentaram queda nas taxas.

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