Frigoríficos, pecuaristas e analistas ainda estão em dúvida sobre o tamanho do impacto da desvalorização cambial nas exportações brasileiras de carne bovina em 1999. Existem, hoje, previsões de crescimento nas exportações que vão de 10% até a 40%. Com o câmbio ainda não totalmente estabilizado, os participantes do setor dizem que ainda não conseguiram traçar um cenário mais seguro a respeito das exportações. Existe o consenso, contudo, de que o Brasil deve se beneficiar da desvalorização ante a carne argentina, cujos preços permanecem atrelados ao dólar. Victor Nehme, diretor da FNP Consultoria, é um dos analistas que acreditam que a desvalorização do real será um fator extremamente benéfico para as vendas externas de carne bovina. Nehme acredita que as exportações, em 1999, darão um salto de 40%.
Se as expectativas de Nehme se confirmarem, será o primeiro ano em que o Brasil conseguirá exportar um volume expressivamente maior que a Argentina. Nos últimos anos, o Brasil vem registrando um volume de abate e exportação bem inferior ao argentino, apesar do rebanho brasileiro ser três vezes maior. Na Argentina, de um rebanho estimado em 51 milhões de cabeças em 1997, os abates totalizaram 12,2 milhões, 24% do total, com as exportações atingindo cerca de 450 mil t. No Brasil, de um rebanho de 160 milhões de cabeças, os abates somam apenas 18% deste total, perto de 29 mil cabeças, e o total exportado ficando em 345 mil t.

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